Palcos do Copa da Rússia

Palcos do Copa da Rússia

Samara, a cidade espacial

A cidade de Samara está situada às margens do rio Volga, o maior de todo o continente europeu. Construída no distrito de Radiotsentr no início em 2014, a Arena Cosmos possui inspirações espaciais, em homenagem ao setor aeroespacial da cidade. O estádio tem capacidade para 44.807 espectadores e irá receber seis partidas do Mundial de 2018: Costa Rica x Sérvia,  Dinamarca x Austrália, Uruguai x Rússia, Senegal  x Colômbia, além de uma partida válida pelas oitavas de final  e a outras pelas quartas. Após a competição, o estádio vai receber os jogos do Krylya Sovetov.

Fundada em 1586 como uma fortaleza de vigilância, está localizada em uma região administrativa que leva o mesmo nome, perto da fronteira da Rússia com Cazaquistão. A cidade fica a mais de 1000 quilômetros de Moscou, entre os rios Volga e Samara. Durante a II guerra Mundial, Samara foi rebatizada de Kuibyshev e funcionou como uma segunda capital da União Soviética. Foi aqui que ficaram escondidos membros do governo russo e delegações diplomáticas de países estrangeiros quando Moscou sofreu uma ameaça nazista. Samara não possui muitas atrações turísticas, mas uma boa dica é fazer um passeio pelo rio Volga ou visitar um dos bunkers secretos de Josef Stalin. Construído para proteger o ditador russo, o bunker  possui 37 metros de profundidade e guarda lembranças sombrias de um período histórico da União Soviética.

A cidade é berço da engenharia russa e abriga Universidade Estadual Aeroespacial de Samara, que ajudou a impulsionar o programa espacial russo. Lá foi construído o foguete que levou Yuri Gagarin, o primeiro homem a viajar pro espaço. No Museu da História Espacial, o visitante encontra réplicas de naves, roupas espaciais e  motores.

Como não há voos diretos do Brasil para a Rússia, o melhor jeito de chegar é pegar uma conexão pela Europa até Moscou. De lá, você pode seguir para Samara de avião ou de trem, em uma viagem de 17 horas. A principal porta de entrada é o Aeroporto Internacional de Kurumoch, uma cidade vizinha localizada a 42 km de Samara.

 

Por Alexandre Araújo

O “puxadinho” de Ecaterimburgo

Gambiarras made in Rússia

A cidade de Ecaterimburgo, uma das maiores da Rússia, vai receber apenas quatro partidas da fase de grupos da Copa do Mundo de 2018: Egito x Uruguai, França x Peru, Japão x Senegal e Coreia do Sul x Alemanha. Portanto, a seleção brasileira não vai passar por lá. A Ecaterimburgo Arena foi construída em 1953, mas foi totalmente reconstruída para sediar o mundial. A fachada histórica do estádio foi mantida, mas o interior foi totalmente remodelado. A Arena terá capacidade para mais de 44 mil torcedores, mas depois da competição será reduzida para apenas 25 mil. Apesar da reforma, o estádio é considerado um dos mais curiosos da Copa. Duas enormes arquibancadas metálicas provisórias foram erguidas na parte de trás de cada gol, formando setores que estão, no final das contas, fora do estádio. É uma espécie de “puxadinho” russo.

Ecaterimburgo é a sede mais oriental da Copa de 2018, a única na Rússia asiática a receber o evento. O Ural, clube local, está na primeira divisão russa há apenas cinco temporadas – contando a atual – e não atrai um grande público.  A cidade recebeu o nome em homenagem a então czarina da Rússia, chamada Ekaterina. Também é um lugar famoso por abrigar a Casa Ipatiev, onde a família Romanov foi executada durante a Guerra Civil Russa. Em 1918, os bolcheviques assassinaram, nos porões da casa, o Czar Nicolau II e toda a sua família, entre eles seus cinco filhos e servos pessoais. Com o fim do regime comunista, foi erguida no local do massacre a Catedral do Sangue, em 2003.

Localizada na porção oriental dos montes Urais, a cidade que chegou a ser cotada para ser a capital da Rússia após a dissolução da União Soviética, tem cerca de 1,4 milhões de habitantes, o que a faz dela a quarta maior cidade do país, atrás de MoscouSão Petersburgo e Novosibirsk. Com a morte do líder revolucionário Iákov Sverdlov, em 1924, a cidade mudou de nome, tomando a designação de Sverdlovsk. Com o fim do regime socialista, em 1991, o nome original foi recuperado.

As principais áreas industriais da cidade são a de maquinaria, processamento de metais e metalurgia. Recentemente, o comércio tem avançado em vários níveis, e os centros de negócios vêm sendo planejados. A Academia Russa de Ciências, a Universidade Federal dos Urais e numerosos institutos de investigação e universidades estão localizados em Ecaterimburgo. Uma cidade ideal para o turismo intelectual, lotada de bibliotecas, teatros e museus. Famoso ponto turístico da cidade é o monumento Europa-Ásia, onde os turistas podem ter um pé na Europa e outro na Ásia ao mesmo tempo. Ainda é possível visitar o Palácio Rastorguyev-Kharitonov, o Teatro Acadêmico de Ópera e o Zoológico da cidade. Mas quem quiser dar um pulo em Ecaterimburgo durante a Copa, a maior atração deve ser a pitoresca Arena local com seu “puxadinho”.

Por Alexandre Araújo

Palcos da Copa da Rússia

Rostov, “ a cidade da morte”  

A seleção brasileira começa sua caminhada rumo ao hexa, dia 17 de junho, contra os suíços, em Rostov-on-Don. A Arena tem capacidade para 45 mil torcedores e foi inaugurada em 2017. Além do jogo do Brasil, o estádio vai receber os jogos entre Uruguai x Arábia Saudita, Coreia do Sul x México, Islândia x Croácia, além de uma partida da fase de oitavas-de-final. Como a maior parte dos estádios que irão sediar as partidas, a Arena foi construída especialmente para a competição e custou cerca de R$ 1,488 bilhão.

 Dividida em oito distritos, a cidade de Rostov-on-Don está localizada em uma província de mesmo nome ao Sul da Rússia.  Fundada em 1749, Rostov teve forte crescimento industrial devido o porto do rio Don, que banha a cidade. Também é chamada “cidade dos 5 mares” — o de Azov, o Negro, o Cáspio, o Báltico e o Branco. Considerada uma das regiões mais emergentes da Rússia, Rostov sedia importantes indústrias de construção naval, químicas, maquinaria agrícola e materiais de construção. É lá também onde os cossacos, uma classe militar importante para a expansão russa, mantém suas tradições.

Mas nem tudo são flores. Rostov é também conhecida como “A cidade da morte” ou a “Casa dos Maníacos”. O mais famoso serial killer russo, Andrei Chikatilo, conhecido como o Açougueiro de Rostov, nasceu por aquelas bandas. Ele foi responsável pela morte de mais de 50 pessoas entre os anos de 1978 e 1990. Em 1994, foi condenado à morte e fuzilado.

Para os brasileiros que vão visitar a cidade, durante o mundial, vale a pena dar um pulo na Catedral da Natividade da Santíssima Virgem Maria, um dos cartões postais de Rostov. Os turistas também devem conhecer a chamada “Broadway” local, ou seja, a visitar o fantástico Parque da Revolução e andar na 3ª maior roda-gigante na Rússia. Uma boa dica para matar a fome é visitar o Mercado Central.  Como Rostov está próxima ao Rio, é possível encontrar uma enorme variedade de peixes. Rostov tem uma vida noturna agitada. No “Linha de Bares” no centro da cidade, os turistas podem visitar os estabelecimentos da cidade velha. Na Avenida Gazetny, por exemplo, há uma enorme variedade de tabernas, onde é possível tomar uma boa vodca ou até provar o desconhecido vinho russo.

Quem estiver na capital Moscou e quiser conhecer a cidade, há voos regulares que custam em média R$500, com duração de duas horas. Também é possível conhecer Rostov de trem, mas o tempo de viagem pula para 16 horas.

Por Alexandre Araújo