O Flamengo gastador

O Flamengo gastador

Clube abre o cofre e não olha para a base

O movimento arrojado do Flamengo para ter Arrascaeta, Dedé, Bruno Henrique e Gabigol beira a irresponsabilidade financeira. Como alertou meu amigo Gilmar Ferreira em sua coluna no jornal Extra, a quantia é muito superior aos R$ 100 milhões anunciados pela nova diretoria para contratações.

É importante ressaltar que o Flamengo não precisava de uma reformulação total no elenco. Dos quatro nomes, Arrascaeta é o único que o clube deveria trazer para repor a saída de Paquetá, no mais, é pirotecnia. O que é necessário resolver, as laterais, passa longe do discurso. Se não houver laterais que possibilitem jogadas pelo lado de campo, triangulações e cruzamentos, os novos mandatários podem trazer o atacante que quiserem, ele vai fazer poucos gols.

Vou dar um pequeno exemplo: o bom lateral esquerdo do Liverpool, Robertson, custou € 8 milhões ao clube inglês. Não estou defendendo que se traga o jogador para o Brasil, mas sim, há alternativas viáveis que um bom entendedor de futebol pode resolver.

Enquanto a diretoria Landim pretende abrir os cofres e gastar o lastro conseguido por Bandeira de Mello, a excelente base do Flamengo vai ficando esquecida. Ao mesmo tempo que entra na aventura milionário por Gabigol, o Flamengo vê Felipe Vizeu acertar com o Grêmio. Daqui a pouco um grande clube brasileiro vai repatriar o Jorge para a lateral esquerda e assim os valores revelados na Gávea vão dar alegrias a outros torcedores no Brasil.

A diretoria rubro-negra deveria dar uma zapeada nos canais de esporte da TV à cabo. No Sportv encontraria Paulo Nunes. Habilidoso atacante, revelado na Gávea que foi ganhar títulos pelo Grêmio e pelo Palmeiras. Na sequência, colocaria na ESPN Brasil. Lá veria Djalminha, um cracaço que saiu do Flamengo pela porta dos fundos e foi encantar no Palmeiras e em clubes da Europa. Ao colocar no Fox Sports, se depararia com Edmundo. Um monstro, jogador raro, mas que contratado por valores astronômicos ficou na memória do Flamengo por integrar o “pior ataque do mundo… Sávio-Romario-Edmundo”.

O futebol mudou, mas há coisas que permanecem. O time mítico da década de 80 era basicamente a prata da casa. Em 1992, havia Júnior e uma garotada da base dentro de campo, no banco, mestre Carlinhos. Em 2009, além de Andrade no banco, Adriano sabia muito bem o que era jogar no Flamengo. Em 2013, Jaime de Almeida era o representante raiz do clube.

Neste futebol de frases prontas, com craques midiáticos e andarilhos, é fundamental a identificação com o clube. Dedé parece não querer sair do Cruzeiro, clube a que é grato. Se for para a Gávea será por dinheiro. O time não precisa de mais jogadores com esse espírito. A zaga pode se resolver com Rodrigo Caio, Léo Duarte, Rodolpho e Thurler. O ataque tem Uribe, Dourado, Lincoln e Vítor Gabriel, para que milhões em Gabigol? Deixar o Diego ir embora facilmente e gastar essa grana no Arascaeta é incoerência. Numa boa, entre Bruno Henrique e Vitinho não há muita diferença. Aliás, particularmente, prefiro o Vitinho.  A diretoria do Flamengo tem a solução em casa. Por falar em casa, ter um estádio deveria ser prioridade. Atualmente, essa é a grande diferença entre o Flamengo e os clubes paulistas. Os quatro grandes de lá tem um estádio, aqui o Rubro-negro “mora de aluguel”.

E nessa primeira coluna do ano, expresso o desejo de um 2019 vencedor dentro e fora do campo para todos nós.

Por Creso Soares

Rejeição de Neymar

Rejeição de Neymar
Camisa 10 precisa repensar a carreira

 

 Neymar Jr Presentation | Press Conference for PSG (04/08/2017)

A torcida do Barcelona desaprova uma possível volta de Neymar. O Jornal catalão El Marca publicou que de cada 3 torcedores do azul-grená, dois não querem o retorno do craque brasileiro. Essa notícia coroa um dos piores anos esportivos de Neymar.

O jogador deveria dar a tal “freada de arrumação” na carreira. Num futebol em que a imagem rivaliza com a qualidade técnica do atleta, ficar como “fiteiro” e chorão é péssimo. Cada vez mais rico e cada vez mais distante do potencial que poderia atingir. Neymar vai cavando o buraco em sua reputação.

Machucado, fez uma Copa abaixo do que se esperava. Depois de um mundial pífio, ficou fora da lista dos 10 melhores do mundo. Depois o camisa 10 da seleção protagonizou uma campanha publicitária, que em vez de criar empatia, provocou vergonha alheia.

Ele está mais rico do que nunca e a julgar pelas campanhas, pouco se importou se virou meme. As transações em bitcoins, posts patrocinadora em redes sociais, contratos milionários com marcas inacessíveis a grande parte dos brasileiros parecem estar tomando mais espaço na agenda do que treinos e jogos.

Neymar está recebendo sinais. A cada dia perde mais espaço para Mbapé. Campeão do mundo, craque em ascensão, o francês de 19 anos chega com tudo para desbancar o posto de dono do time do brasileiro. Essa onda “solidária” do elenco espanhol parece ser mais um sinal de insatisfação de Neymar pela perda de espaço no PSG.

Essa notícia de que a maioria dos torcedores do Barça rejeita a  volta do craque é outro sinal. A forma como aconteceu a saída colou em Neymar a imagem de mercenário. O flerte com o Real Madrid ajudou a  azedar a relação. Impressiona o fato de que nem o título da Champions conquistado com os catalães está sendo suficiente para que Neymar seja bem aceito.

E com Neymar aparentemente sem rumo, a seleção treinada por Tite parece uma incógnita. O talentosíssimo e temperamental craque do time dá o tom da preparação. O futebol brasileiro precisa se libertar logo da dependência de Neymar. No futebol de hoje, ter valores individuais é importante, mas o conjunto e a solidariedade de um time dentro do campo de jogo é fundamental.

Que 2019 seja melhor para Neymar, para a seleção e para o Brasil em geral. Resiliência, um dia a noite acaba.

Fla precisa urgentemente de laterais

Fla precisa urgentemente de laterais

No futebol de hoje, posição é fundamental para o ataque funcionar

O Flamengo deveria manter a base de 2018. Encaminhar as renovações de Diego e Arão, procurar um lateral direito e só. O resto do time deveria ser completado com a base. É muita tentação para a nova diretoria, que quer chegar fazendo contratações de peso, mas deveria ser mais racional.

Há uma realidade que o Flamengo deverá encarar. A fama de estar financeiramente saudável é um impedimento na hora de fechar negócios. A transação com Pablo é fruto disso, o Athlethicho Pharanhaenshe tentou empurrar o razoável atacante por um preço de craque. Ainda bem que imperou o bom senso e o Flamengo não cometeu o desatino de efetivar a compra.

Agora, a loucura da vez é pagar R$ 100 milhões por Gabigol. Se tem esse dinheiro, procura um atacante mais estável. Dá para ir no Boca ou no River e trazer alguém que o retorno seja menos incerto do que no instável atacante revelado pelo Santos.

O Flamengo precisa pensar seriamente num plano para segurar Rainier. A jovem promessa que fez o gol do título na Copa do Brasil sub-17. Tem que retardar a saída. Fazer o garoto e a família preferirem ficar no Brasil. Plano de carreira, status de estrela da companhia, essas coisas. Segurar até uns 23, 24 anos. A torcida sofre ao ver Vinicius Jr brilhando no Real Madrid.

Está na hora do Flamengo manter seus jogadores. Deixar de ser clube comprador. Caminha para perder a geração campeã da última copinha como perdeu a campeã em 1990 e a em 2011. Abel, que se notabilizou na última passagem pelo Fluminense em promover garotos, deve pensar desta forma no Flamengo. Mesclar os jogadores experientes contratados com os garotos de talento da base.

Acho que a primeira medida seria disputar o estadual com a molecada. Dar rodagem, colocar pressão por título na categoria de cima. O estadual tem que ser laboratório. A base deve ser observada no período de bonança e não só como solução quando falta dinheiro.

O Flamengo pode montar um time competitivo em 2019. Se arrumar bons laterais, acho que até o Dourado vai desencantar. Mais do que este homem-gol, que parece obsessão na Gávea, os laterais são fundamentais no futebol atual.

Tem uma história, que agora nõ vou me lembrar se foi com Osvaldo Brandão ou Rubens Minelli, sobre a contratação de um jogador. Um olheiro quis oferecer ao time treinado por ele o centroavante de um time do interior. O atacante fazia muitos gols. O experiente técnico devolveu ao olheiro: eu quero o ponta que fez os cruzamentos para od gols do centroavante.

É disso que o Flamengo precisa. Com bons laterais o ataque desencanta. O Rubro-Negro não tem o elenco do Palmeiras, mas pode ter um grupo competitivo em 2019. A esperança do torcedor é que a responsabilidade financeira seja mantida e que base seja mais bem usada.

No mais, um feliz natal para todos que acompanham essa coluna. Um grande abraço e até semana que vem.