Neymar, moleque; Fred, adulto

Neymar, moleque; Fred, adulto
Em Paris, um vacila; no Rio, o outro brilha

Neymar deu um soco no rosto de um torcedor quando era hostilizado após o vice na Copa da França, perdendo para o Rennes nos pênaltis. A atitude do camisa 10 do PSG e da seleção brasileira não tem outra definição que não seja IMPERDOÁVEL.

A UEFA já demonstrara que não aliviaria o brasileiro. Na sexta-feira, aplicou-lhe um gancho de três jogos na Champions, porque ele havia criticado a arbitragem europeia nas redes sociais. Neymar é um príncipe, que acredita ter o mundo disponível às suas vontades e rompantes. A crítica não lhe faz bem.

Não se pode creditar ao camisa 10 toda responsabilidade pelo mico na Copa da França. Para o milionário esquadrão francês perder algum título nacional é vergonhoso, tal a diferença de investimento. Se este espaço bate na tecla que o Flamengo tem obrigação de ganhar o estadual e chegar na frente dos concorrentes cariocas no Brasileiro, ao fazer um paralelo com a realidade francesa, o PSG tem 10 vezes mais obrigação de vencer.

Neymar é desses jovens empoderados (no mau sentido), endinheirados e arrogantes. Acho impressionante que seu staff, principalmente seu pai, não consiga dar uma sacudida no rapaz e dizer em alto e bom som: ACORDA. A prosseguir nesta toada, Neymar vai entrar na história como aquele que poderia ter sido e não foi. Poderia ter sido o melhor brasileiro depois de Pelé e não foi. Poderia ter sido o melhor do mundo de sua geração e não foi. Poderia ter sido campeão do mundo pelo time da CBF e não foi.

Enquanto isso, alguns jornalistas continuam exaltando o jogador e dando-lhe a impressão de que tudo é permitido. Logo, se no reino encantado de Neymar houver protestos, estes precisam ser abafados. Ao sair do Instagram, Neymar não sabe como é a vida sem bajulações. Por isso, o torcedor que não curtiu sua atuação e protestou deve ser bloqueado. Como esse comando só existe na vida virtual, na vida real ele apelou para a agressão pura e simples. LAMENTÁVEL.

O atacante Fred do Cruzeiro teve uma atitude muito diferente da estrela parisiense. O camisa 9 é artilheiro por onde passa. Possivelmente, será reconhecido como maior ídolo da história do Fluminense. Isso não é pouca coisa. Fred sabe o peso de suas atitudes. Como nunca jogou pelo meu time, sempre me incomodou dentro de campo. O cara quase sempre faz gol contra o Flamengo. Daqueles jogadores que eu gostaria que um dia vestisse a camisa do meu time.

Neste sábado, Fred não deixou o dele, mas com um passe magistral pôs Pedro Rocha na cara do gol, para que a Raposa abrisse o marcador. Bruno Henrique em dia inspirado salvou a pele de Abel, que passados quatro meses, ainda não conseguiu dar padrão de jogo ao Flamengo.

Mas voltando ao Fred. Ele estava sendo o camisa 9 chato, que enche o saco dos zagueiros, do juiz e da torcida adversária. Durante a partida fez o que sempre faz, levou perigo ao outro time, discutiu com os defensores, principalmente com Rodrigo Caio.

Último lance da partida. Rodrigo Caio se machuca após um choque violentíssimo com Dedé. Quem é o primeiro a acudir o zagueiro  rubro-negro? Sim, Fred. Adversário não é inimigo. A integridade física de um companheiro de profissão veio em primeiro lugar. Neymar deveria estar ocupado em alguma balada à beira do Sena  mesmo assim, seu staff deveria mostrar a entrevista de Fred explicando que o fato de ter discutido com Rodrigo Caio a partida inteira não foi levado em consideração na hora de ajudar o outro jogador em dificuldade.

Fred e Neymar estiveram no fracasso da seleção brasileira de 2014. Enquanto um movimentou cifras milionárias, mas nunca foi unanimidade, Fred ganhou menos dinheiro (não que tenha ganhado pouco), mas continua ganhando respeito e admiração, mesmo dos adversários.

 

Por Creso Soares

Acabou o cheirinho

Acabou o cheirinho

Flamengo leva 35º estadual para Gávea

Alexandre Vidal/flamengo.com.br

 

Acompanho futebol desde 1978. Nesses mais 40 anos nunca vi uma disparidade tão grande entre o Flamengo e os outros times do Rio de Janeiro. Nem o time mágico do fim dos anos 1970 e começo dos 80 era tão superior. Tanto é que Vasco e Fluminense beliscaram estaduais naquele período. Agora o estadual ganha sua verdadeira relevância, um título honorífico e de pouco resultado prático para avaliar o quanto o time está pronto para o restante da temporada.

Lamentável a participação do VAR nos jogos finais do estadual. O primeiro gol do Flamengo nasceu de um gol proveniente de uma jogada irregular. A orientação burra de esperar a jogada ser concluída resultou na falta que originou o gol de Willian Arão. O árbitro de vídeojá havia errado ao invalidar um gol legal de Bruno Henrique na primeira partida. Então, é necessário que o VAR seja ajustado para não atrapalhar em vez de enriquecer o esporte.

É importante destacar que Willian Arão e Pará fizeram grandes jogos contra o Vasco. Sempre tão contestados, o volante e o lateral ajudaram com muita vontade e foram decisivos tanto na marcação, quanto nas ações ofensivas. Diego, Arrascaeta e Everton Ribeiro foram muito bem juntos. Com a volta de Bruno Henrique resta saber quem vai para o banco.

Agora é pensar na LDU, que é o jogo do ano para o Flamengo. O time não pode perder, se conseguir empatar volta do Equador classificado. O mister clássicos deve jogar, até porque descansou na final do estadual por causa da suspensão. O time não pode se acomodar por jogar pelo empate para garantir a vaga nas oitavas da Libertadores. O estadual mostrou uma coisa: Abel tem que conversar com Gabigol e Bruno Henrique, os dois levaram muitos cartões neste primeiro terço da temporada. Se não colocarem a cabeça no lugar, podem desfalcar o time em horas impróprias. Por falar em Abel, ele ainda precisa mostrar que o time está achando uma forma de jogar. Tomou muita pressão do Vasco, um time extremamente mais fraco. Parabéns para o comandante rubro-negro. Na coletiva, ele dedicou o título a Zé Ricardo, demitido do Botafogo de forma deselegante (se bem que tenho dúvidas se alguma demissão no futebol tem algo de elegante).

Não consigo entender o torcedor que não comemora um título. Vi nas redes sociais gente dizer que é constrangedor comemorar o estadual. Minha pergunta é: se tivesse perdido, esse mesmo torcedor estaria como? Xingando e mandando cair do goleiro ao presidente, com certeza.

O Flamengo confirmou o favoritismo. Ganhou um campeonato que já se anunciava seu antes da bola rolar. Quando o time se acertou, não deixou dúvidas. Agora, cada um dos quatro grandes do Rio vai cumprir o restante na temporada. Flamengo com a obrigação de disputar todos os títulos; o Vasco precisando se resolver para ter um Brasileiro menos atormentado; o Fluminense pode ir longe nas competições de mata-mata; o Botafogo, bem, o Botafogo precisa melhorar muito para não cair para a segunda divisão.

 

Por Creso Soares

Flamengo põe uma das mãos na taça 

Flamengo põe uma das mãos na taça 
Arrascaeta e B. Henrique comandam o time contra o Vasco

O Flamengo não precisou fazer grande partida para abrir uma importante vantagem sobre o Vasco na decisão do Carioca. O placar de 2 a 0 não espelhou o domínio do rubro-negro. O árbitro Rodrigo Nunes de Sá fez a parte dele para o campeonato estar minimamente aberto. Um gol mal anulado e um pênalti ignorado poderiam ter deixado a situação praticamente irreversível. Não há nada decidido, mas o Flamengo deu um passo imenso para se tornar Campeão Carioca de 2019.


Qual será a escaramuça que o presidente do Vasco tentará nesta semana para tumultuar a segunda partida decisiva? Na primeira mandou o jogo no Engenhão e mudou lado de torcida, tudo isso para tentar algo novo e fazer com que seu time conseguisse parar o Flamengo. Não funcionou. O Flamengo escalou pela primeira vez no ano a força máxima contra os cruzmaltinos. Com o time misto o Flamengo tinha empatado duas vezes.  Neste domingo ficou clara a diferença técnica entre os dois planteis. Por isso, reafirmo o que escrevi em várias oportunidades: o Flamengo tem obrigação de ganhar o Carioca.


Ainda sobre Alexandre Campelo, nem a torcida do Vasco parece ter gostado da mudança para o Engenhão. Apenas 10 mil pessoas compareceram ao estádio para ver o jogo. O Vasco, tão carente de dinheiro, quis marcar uma posição política e terá um grande prejuízo. Não entendi o arroubo do presidente do Vasco da Gama. Para ter um público de 10 mil, era melhor ter mandado o jogo em São Januário. Dessa forma, pelo menos, teria tentado fazer valer o fator casa. Com todo respeito ao Vasco, mas seu presidente fez um papelão.


No lado rubro-negro, Abel terá que usar seu talento para “administrar o grupo”. Na partida contra o San Jose, Diego saiu fazendo biquinho. Contra o Vasco foi a vez de Gabigol reclamar. Isso mostra que os “donos do vestiário” querem manter seus privilégios. Se o experiente técnico não segurar essas insatisfações públicas, o Flamengo terá problemas ao longo da temporada.

Arrascaeta deu ao meio-campo uma clarividência que estava faltando. Seus passes são rápidos e surpreendentes. Diego é banco no Flamengo de hoje. Resta saber se Abel terá o peito que teve Dorival Jr de deixar o camisa 10 como opção. Diego será importante ao longo do ano, mas o uruguaio está pedindo passagem.

O técnico do Flamengo insiste em Willian Arão. Talvez fosse o momento de prestar mais atenção em Ronaldo, que tem mais técnica do que Arão. O número 5 erra passes bobos e deixa espaços na marcação. Sua grande qualidade é a jogada aérea, pois vai bem ofensiva e defensivamente.

Pará vai se firmando. Foi bem contra o San Jose e muito bem contra o Vasco. René está se recuperando. O Flamengo vai encontrando um jeito de se armar. Ainda abusa das jogadas aéreas. Mas ê um time que finaliza bastante. Se a pontaria ficar calibrada, poderá se tornar um ataque poderoso no Brasileirão.

O time da Gávea terá uma semana inteira para se preparar. Se conseguir ganhar o estadual, vai encerrar essa história de “cheirinho”, grande munição dos rivais. Pode não ser com perfume francês importado, mas vai ser ao menos uma lavanda nacional bem honesta.

Por Creso Soares

*Fotos: Alexandre Vidal/flamengo.com.br