O futebol do Rio precisa renascer

O futebol do Rio precisa renascer

Os rivais do Flamengo precisam urgentemente arrumar as contas

 Alexandre Vidal/Flamengo

A supremacia financeira do Flamengo frente aos adversários do Rio pode acabar se voltando contra o próprio rubro-negro. Até agora, a superioridade não ficou demonstrada em campo. O time levou gol nas 3 partidas do estadual. Tem uma deficiência nas laterais e o meio-campo marca meio frouxo. O fraco time do Botafogo poderia ter vencido o clássico de sábado.

Mas esse texto não será uma análise tática do jogo. Abel é um técnico experiente que pode deixar o time competitivo. Não será da forma que eu acho melhor, provavelmente, mas ele é o profissional responsável por armar a equipe, então a bola está com ele.

Vamos voltar ao que motivou este texto. O perigo para o Flamengo é a perda de força política do futebol carioca no panorama brasileiro. Há problemas que a olho nu o torcedor mais fanático vai deixar passar. Por exemplo, as negociações na hora de fazer a tabela para disputa do campeonato brasileiro. Em 2018, o Vasco pegou uma tabela ingrata, teve jogos contra times de São Paulo seguidamente no fim dos turnos. Precisando de resultados para se garantir na primeira divisão, acabou uma posição acima da zona de rebaixamento.

Os quatro times de São Paulo são relevantes no cenário nacional. O comando da CBF nas mãos de cartolas paulistas também fortalece essa posição dos clubes do estado mais rico da federação. Não é interessante para o Flamengo ficar sozinho nessas negociações.

Um exemplo do que essa desunião pode acarretar foi dado no sábado. O Botafogo quis levar o jogo com o Flamengo para fora do Rio e garantir uma grana para desafogar as contas precárias. O Flamengo, que estava no seu direito, não aceitou. Resultado, o Botafogo colocou os ingressos a preços estratosféricos. Na estreia do Flamengo contra o Bangu o público pagante foi de 43 mil. No sábado, um clássico, com a estreia de Bruno Henrique, 5 mil pessoas pagaram ingresso. Se o Flamengo tivesse cedido, os combalidos cofres alvinegros teriam algum refresco.

Continuo achando que como elenco não há comparações entre o Flamengo e outros rivais, mas se formos colocar apenas os 11 titulares, O Vasco tem condições de montar um time competitivo para enfrentar o primo rico.

Apesar da propalada engenharia financeira, o Flamengo precisa urgentemente resolver seu problema domiciliar. O Maracanã já deu. O clube tem que negociar com a faca entre os dentes. Ficar com um percentual pequeno da renda é um absurdo. Ou muda a relação de parceria ou parte para a “casa própria”.

Arruma um parceiro, constrói o novo estádio e dá um passa-fora no consórcio vampiresco. Os quatro grandes de São Paulo têm estádio. Isso faz toda a diferença. É o que falta para que o Flamengo não tenha nada a perder em relação aos grandes clubes do Brasil.

Mas há algo que o Flamengo não pode esquecer. Se o futebol do Rio estiver mais fraco, o próprio Flamengo vai ficar mais fragilizado nos bastidores políticos do mundo da bola.

Por Creso Soares

Flamengo tem “obrigação” de ser campeão

Flamengo tem “obrigação” de ser campeão

Público rubro-negro mostra diferença de confiança em relação aos rivais

 Alexandre Vidal/Flamengo

Os jogos de Vasco, Fluminense e Botafogo não levaram aos estádios somados um terço do público do Flamengo nessa primeira rodada do Campeonato Carioca. Isso pode dar a tônica do que será a competição. Deficitária para os grandes, mas especialmente ruim para os três rivais do Flamengo.

Com todo respeito ao bravo tricolor suburbano, mas colocar o jogo entre Vasco e Madureira às 16h50m, num estádio com um gramado HORROROSO deve ter sido um boicote à competição feito  pela própria Ferj. É isso ou é incompetência mesmo.

Os jogadores brigavam com o termômetro e com o gramado. Além disso, as placas de publicidade coladas ao campo de Conseleiro Galvão quase produzem um acidente. Um jogador do Vasco deu um carrinho e entrou placa de publicidade adentro. Levantou irritado, pois se batesse em alguma ripa de madeira poderia ter se machucado.

Se os dirigentes da federação querem valorizar seu produto, o mínimo que poderiam fazer é colocar os jogos em um gramado minimamente preparado para receber partidas profissionais. Numa pelada de fim de semana, com jogadores do meu nível, seria o palco apropriado. Para jogadores profissionais é um escárnio.

O Flamengo terá um drama quase shakespereano na competição. É aquele papo de “ser ou não ser, eis a questão”. Explico. Dada a disparidade de investimento do Flamengo para os seus co-irmãos, o clube está quase que impelido moralmente a ser campeão estadual. Paradoxalmente, dos 4 grandes do Rio, talvez seja o que menos precise do título. Com o elenco que montou, a ambição rubro-negra é muito maior do que a de Fluminense, Vasco e Botafogo. Realisticamente, o Carioca é o caminho mais curto e talvez o único viável para algum título este ano da trinca.

Mesmo assim, a vitória do Flamengo contra o Bangu foi apertada. E já no primeiro gol da equipe na competição houve uma irregularidade. Fato que vai suscitar reclamação dos adversários.

O Palmeiras não ganha um título estadual desde 2008. Neste período o clube ganhou duas copas do Brasil e dois Brasileiros. É a prova que times de maior investimento estão cada vez mais tratando o estadual como uma Flórida Cup da vida. Eu discordo, o estadual é um campeonato relevante. Claro que é o de menos relevância, mas nem por isso desconfortante.

Então o Flamengo que quer priorizar outras competições não pode desvalorizar o torneio caseiro. Futebol é encaixe, 11 contra 11 e imprevisível. Mas o Flamengo entra com a obrigação de ser campeão. Se vai cumprir a obrigação é outra história.

Dos outros três grandes, o Vasco parece ter o melhor esboço de time. Tem o eficiente Máxi Lopez e Bruno César, que se jogar o que sabe,, vai ser um ótimo reforço para o Vasco. Esses dois jogadores colocam o Time de São Januário acima de Botafogo e Fluminense.

Zé Ricardo vai ter que fazer urgentemente uma lição de casa. Arrumar a defesa do Botafogo para deixar o time competitivo mesmo depois de perder muitos jogadores do elenco do ano passado. A Cabofriense passou com sobras na estreia do campeonato. O time escapou com alguma folga do rebaixamento, mas as saídas de peças importantes faz com que a torcida fique desconfiada, e com razão, das possibilidades alvinegras no ano.

A forma física do capitão Airton assustou quem viu o pavoroso jogo entre Fluminense e Volta Redonda no Maracanã. O volante está com uma barriga que um atleta profissional não pode ostentar. Titular e capitão, Airton não pode estar naquela forma. O que leva a crer que o volante só está no time dada a pobreza franciscana do elenco do Fluminense. O  empate ficou de bom tamanho para o Tricolor. O Tine do Vale do Aço desperdiçou um pênalti, teve um jogador expulso e o gol de empate tricolor nasceu numa lambança da zaga adversária. Não quero fazer julgamentos precipitados, mas estou curioso para saber até quando vai durar a paciência com o Dinizbol.

O Flamengo está pressionado. Se vencer o Carioca dirão que nada mais fez do que a obrigação. Se perder será massacrado em zoações por  não confirmar em campo o que o vil metal produziu. A disparidade de investimentos pode ser prejudicial ao próprio Flamengo. Mas essa tese, eu detalho na semana que vem.

Abs

Por Creso Soares

Semana quase mágica rubro-negra

Semana quase mágica rubro-negra

Flamengo tem contratações impactantes e uma notícia que preocupa

O Flamengo anunciou a maior contratação da história do futebol brasileiro na última semana. O uruguaio Arrascaeta, de 24 anos, chega com status de supercraque, que realmente não sei se merece. Houve também a chegada de Gabriel Barbosa. Se seguir justificando o apelido de Gabigol, o rubro-negro tem tudo para fazer um grande 2019.

O título da Flórida Cup só tem uma utilidade: melhorar o astral da torcida. Na prática, acho que nem os jogadores vão dar tanta relevância assim. Um torneio em que os europeus colocam o segundo e o terceiro times e os brasileiros estão em início de temporada não pode ser parâmetro para nada.

O que se pode tirar da visita à terra da Disney é que Uribe e Diego Alves estão dispostos a fazer uma grande temporada. O atacante colombiano terminou 2018 em boa fase e começa o ano muito bem. Abel precisa de um elenco forte. Se não jogar junto com Gabigol, Uribe será sempre uma sombra interessante para o artilheiro do último brasileiro.

O fato ruim da semana que poderia ser “mágica” para os rubro-negros foi a eliminação na Copinha. Batido pelo Figueirense na segunda fase, o time sub-20 do Flamengo  não mostrou capacidade de reação nos dois momentos em que saiu atrás do placar.

As recentes negociações do Flamengo mostram que a base é importantíssima. Os clubes brasileiros não darão trégua para negociar. O contrato de TV mais vantajoso e a eficaz administração financeira deixaram os cofres rubro-negros bem cheios. Com isso, os clubes brasileiros se ressentiram e querem arrancar o máximo dinheiro possível.

Pablo foi o primeiro alvo inflacionado do Flamengo. O Athlethicho -PR não cedeu e o atacante foi parar no São Paulo. Outra negociação complicada foi com o Cruzeiro por Arrascaeta. A terceira novela é a de Bruno Henrique com o Santos.

Então, a reposição tem que vir da base. O Flamengo tem que preservar o futuroso Reinier. A jovem promessa teve bons momentos na campanha da copinha. E Lincoln, o que o Flamengo pretende com ele precisa ficar claro. Felipe Vizeu já foi prestar serviços ao Grêmio. Numa boa, se era para ficar com Henrique Dourado, deveria ter mantido o Vizeu.

Se serviu para alguma coisa dentro de campo, o título da Flórida Cup pode ter dado confiança a Jean Lucas, promissor meio-campo que o Flamengo quase envolve na negociação para trazer Bruno Henrique. Se souber usar os recursos, o Flamengo pode ter uma grande temporada. Mas dirigentes e torcedores devem ser compreensivos. É quase impossível para qualquer time ganhar todas as competições que entrar. Deve jogar para ganhar, mas compreender que as derrotas também fazem parte do jogo.

Por Creso Soares