O Flamengo dos “Maurícios” é líder, mas é cedo para comemorar

Rubro-negro mostra evolução, Diego e Vinicius Jr se destacam

Diego é bom jogador. Não chegou a ser o que se esperava depois do fulgurante campeonato Brasileiro de 2002, vencido pelo Santos, quando ele e Robinho foram as referências. Mas ele inegavelmente é um bom jogador.  Ao encerrar a goleada sobre o Ceará, Diego se jogou nos braços da torcida. Numa imagem sob medida para os tempos de selfie e redes sociais. Indagado se pensou em sair do Flamengo, o jogador negou a possibilidade. No futebol amores eternos são volúveis, e se a pressão continuar, não duvido da saída do meia.

Staff Images/Flamengo

Colocá-lo como único responsável pela má fase do Flamengo é injusto e covarde. Futebol mais do que nunca está na força do conjunto. Logo, Diego poderia estar jogando maravilhosamente bem, que sem um esquema eficiente, nada adiantaria o brilho individual.

Muito se diz que Garrincha, em 1962, Maradona, em 1986, e Romário, em 1994, venceram os mundiais sozinhos. Perguntem a Amarildo, Valdano e Bebeto o que acham dessas declarações. Mas vamos continuar a falar de Flamengo.

O Rubro-Negro tantas vezes chamado de time de “sapato alto” tem uma piada pronta à beira do campo. É um time de “Maurícios”. Barbieri, o interino e, Souza, o auxiliar do interino. É nesse time de “mauricinhos” que a torcida terá que acreditar. O portentoso Ceará não é parâmetro. Periga ser mais um representante do esquadrão ioiô. Vai à primeira divisão e volta para a série B. O segundo e o terceiro gols do Flamengo foram de uma ingenuidade tão grande da defesa cearense, que o credencia para ser o saco de pancadas do campeonato. No entanto, o jogo pode servir para devolver confiança aos jogadores e dar alguma tranquilidade ao ambiente no Ninho do Urubu.

O Flamengo é líder do Brasileiro, mas com apenas três rodadas. Nem “rumo ao hepta”, “cheirinhos” e afins, nem “faltam 38 pontos para escapar”. O Rubro-Negro vai fazer um campeonato brasileiro na inchada zona da Libertadores.

Para ser competitivo o Flamengo precisa de laterais e um centroavante. Além disso, Barbieri tem que arrumar um jeito de não deixar o atacante escalado solitário, fazendo o pivô e arrumando a bola para quem vem de trás. Guerrero, que pelo visto vai meter o pé, tem essas características. Os outros centroavantes do elenco, não. Vinicius Jr tem 17 anos, mostra instabilidade, mas em alguns momentos mostra que pode vir a ser um grande craque. O técnico pode ter achado o lugar de Diego, ou seja, mais perto do gol.

Quanto às manifestações violentas e agressões no embarque do Flamengo, tenho cá minhas suspeitas. Ano de eleições na Gávea… Será que foi um protesto genuíno ou orquestrado?

No mundo de hoje, não me surpreenderia se houvesse digitais de adversários do presidente Bandeira de Melo nesses protestos e pichações.

Torcida tem que ir ao estádio e apoiar, se o time estiver mal, vaiar, porque é direito seu. Ir ao aeroporto para xingar e agredir, ou tentar invadir o Centro de Treinamento não é coisa de torcedor, é coisa de vândalos.

 Staff Images/Flamengo

No mais, espero sensibilidade dessa diretoria para devolver o Flamengo ao torcedor “raiz”, que ele tenha ingressos mais acessíveis para voltar ao Maracanã. A Fla-Selfie é um efeito colateral do clube de “mauricinhos”.

Por Creso Soares

O Flamengo é muito grande para Barbieri

O Flamengo é muito grande para Barbieri

Na despedida de Júlio Cesar, goleiro mostra que fará falta no resto da temporada

Júlio César se despediu do futebol salvando o Flamengo de mais um mico no Maracanã. Algumas defesas bem difíceis contra um América-MG que todos acham que vai brigar na parte de baixo da tabela. Ou seja, o ano vai ser bem difícil para o time do Flamengo.

 Gilvan Souza

Ainda sobre a despedida do goleiro, uma coisa me chamou atenção. Quando acabou o jogo, os jogadores da base correram para abraçar o ídolo. Depois de algum tempo, vieram os jogadores “contratados”. Não tenho informação, apenas impressão. Acho que há alguma coisa mal resolvida entre os garotos e os jogadores de fora. Júlio César e Juan são os experientes que rodaram o mundo e voltaram para encerrar a carreira no rubro-negro, os garotos se sentiram representados.

Mauricio Barbieri demonstrou hesitação na substituição de Vinicius Jr.  Ele iria substituir Willian Arão e colocar Jonas. No entanto, refugou, tirou Vinicius. Acabou por receber as devidas “homenagens” do Maracanã lotado.

O técnico se sente inseguro, sua situação de “interino” não ajuda em nada. Um técnico que sabe que não vai ficar, um elenco desacreditado e Diego com uma contusão surpreendente.

Tudo isso e o time tendo que decidir seu destino na Libertadores contra o Santa Fé no meio da semana.

Júlio César se despediu em grande estilo. Mostrou que um ídolo faz muita falta e que era o melhor goleiro do elenco. Agora, resta ao Flamengo fazer uma temporada digna. A torcida vai ter que se munir de paciência.

No mais, é esperar que a diretoria se sensibilize e coloque os ingressos a um preço que devolva o público mais popular ao estádio.

Por Creso Soares

Segundo o Datafolha a maior torcida é a do Flamengo

Segundo o Datafolha a maior torcida é a do Flamengo

Risco da espanholização é pequeno

Um a cada três torcedores no futebol brasileiro torce por Flamengo ou Corinthians. A última pesquisa Datafolha indica que o rubro-negro carioca tem 18% dos torcedores do país. Ao passo que os corintianos são 14%, ou seja, somados, eles detém 32% do total.

Por mais que se fale no perigo de “espanholização” do mercado da bola no Brasil, estamos muito longe da realidade do país europeu. Lá, Real Madrid e Barcelona têm 56% por cento da torcida. O time da capital tem 32%, enquanto o azul-grená da Catalunha tem 24%.

Apesar da gritaria existente no país por causa da diferença das cotas de TV que recebem Flamengo e Corinthians, a situação não está tão desequilibrada em termos de elenco e de preferências.

O São Paulo vem em terceiro com 8% dos torcedores. Na Espanha o terceiro é o Atlético de Madrid, com 7,6%. Apesar dos percentuais de São Paulo e Atlético de Madrid serem próximos, o que diferencia a situação é a distância para o segundo colocado. O São Paulo está a 6 pontos percentuais do Corinthians. Enquanto o Atlético de Madrid tem menos de 1/3 da torcida barcelonista.

Os números da pesquisa Datafolha evidenciam algumas coisas. São Paulo e Palmeiras somados tem o mesmo número de torcedores do Corinthians.

Para chegar ao número de torcedores do Flamengo deveriam ser somados os torcedores de São Paulo, Palmeiras e Vasco.

Como futebol é cada vez mais entretenimento e business, a TV detentora dos direitos quer pagar mais para Flamengo e Corinthians porque eles geram mais receita. É matemático, tem mais gente ligada quando os dois times jogam. A Premier League paga igual a todos os clubes. Mesmo assim United, City, Liverpool e Chelsea monopolizam as disputas. Lá, os clubes se uniram, aqui brigam entre si, usam a estratégia da “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Abaixam a cabeça para CBF e colhem “frutos” por isso.

Cabe ressaltar que na Região Sudeste o Corinthians aparece na frente do Flamengo. Ou seja, na região mais rica do país, o time paulista tem mais torcedores. Isso também trará consequências econômicas num prazo médio.

O Flamengo se sedimentou como maior torcida do país quando o Rio era o tambor de ressonância do país. Aqui era a capital da República e a Rádio Nacional era o grande canhão de audiência e influenciador de costumes. No fim dos anos 70 e começo dos anos 80 a geração de Zico ampliou a influência com auxílio da TV e o Flamengo virou a massa que é hoje em dia.

As coisas mudaram. O rádio foi suplantado, assim como Rio procura uma identidade. Não é fácil segurar a barra de deixar de ser capital federal. Em termos históricos, 58 anos é um tempo curto.

Muita gente reclamou quando Andrés Sanches disse que em 7 ou 8 anos a torcida do Corinthians será maior. Se continuar essa tendência de crescimento da torcida, a exposição da marca Corinthians com sucessivas conquistas e o Flamengo pagando micos esportivos, não vai ter competência de gestão que dê jeito. Assim como a população de São Paulo passou a do Rio no século passado, a torcida do Corinthians vai passar a do Flamengo.

Essa tendência só pode virar se o Flamengo começar a rivalizar com o Corinthians nas realizações esportivas. Sendo campeão e se colocando dentro de campo a altura do heptacampeão brasileiro.

 

Por Creso Soares