Segundo o Datafolha a maior torcida é a do Flamengo

Segundo o Datafolha a maior torcida é a do Flamengo

Risco da espanholização é pequeno

Um a cada três torcedores no futebol brasileiro torce por Flamengo ou Corinthians. A última pesquisa Datafolha indica que o rubro-negro carioca tem 18% dos torcedores do país. Ao passo que os corintianos são 14%, ou seja, somados, eles detém 32% do total.

Por mais que se fale no perigo de “espanholização” do mercado da bola no Brasil, estamos muito longe da realidade do país europeu. Lá, Real Madrid e Barcelona têm 56% por cento da torcida. O time da capital tem 32%, enquanto o azul-grená da Catalunha tem 24%.

Apesar da gritaria existente no país por causa da diferença das cotas de TV que recebem Flamengo e Corinthians, a situação não está tão desequilibrada em termos de elenco e de preferências.

O São Paulo vem em terceiro com 8% dos torcedores. Na Espanha o terceiro é o Atlético de Madrid, com 7,6%. Apesar dos percentuais de São Paulo e Atlético de Madrid serem próximos, o que diferencia a situação é a distância para o segundo colocado. O São Paulo está a 6 pontos percentuais do Corinthians. Enquanto o Atlético de Madrid tem menos de 1/3 da torcida barcelonista.

Os números da pesquisa Datafolha evidenciam algumas coisas. São Paulo e Palmeiras somados tem o mesmo número de torcedores do Corinthians.

Para chegar ao número de torcedores do Flamengo deveriam ser somados os torcedores de São Paulo, Palmeiras e Vasco.

Como futebol é cada vez mais entretenimento e business, a TV detentora dos direitos quer pagar mais para Flamengo e Corinthians porque eles geram mais receita. É matemático, tem mais gente ligada quando os dois times jogam. A Premier League paga igual a todos os clubes. Mesmo assim United, City, Liverpool e Chelsea monopolizam as disputas. Lá, os clubes se uniram, aqui brigam entre si, usam a estratégia da “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Abaixam a cabeça para CBF e colhem “frutos” por isso.

Cabe ressaltar que na Região Sudeste o Corinthians aparece na frente do Flamengo. Ou seja, na região mais rica do país, o time paulista tem mais torcedores. Isso também trará consequências econômicas num prazo médio.

O Flamengo se sedimentou como maior torcida do país quando o Rio era o tambor de ressonância do país. Aqui era a capital da República e a Rádio Nacional era o grande canhão de audiência e influenciador de costumes. No fim dos anos 70 e começo dos anos 80 a geração de Zico ampliou a influência com auxílio da TV e o Flamengo virou a massa que é hoje em dia.

As coisas mudaram. O rádio foi suplantado, assim como Rio procura uma identidade. Não é fácil segurar a barra de deixar de ser capital federal. Em termos históricos, 58 anos é um tempo curto.

Muita gente reclamou quando Andrés Sanches disse que em 7 ou 8 anos a torcida do Corinthians será maior. Se continuar essa tendência de crescimento da torcida, a exposição da marca Corinthians com sucessivas conquistas e o Flamengo pagando micos esportivos, não vai ter competência de gestão que dê jeito. Assim como a população de São Paulo passou a do Rio no século passado, a torcida do Corinthians vai passar a do Flamengo.

Essa tendência só pode virar se o Flamengo começar a rivalizar com o Corinthians nas realizações esportivas. Sendo campeão e se colocando dentro de campo a altura do heptacampeão brasileiro.

 

Por Creso Soares

Renato disse não ao Flamengo. Você diria sim?

Renato disse não ao Flamengo. Você diria sim?

Renato Gaúcho disse não ao Flamengo. Ele preferiu continuar no Grêmio onde é ídolo incontestável, manda prender e manda soltar. Acho que o treinador teve uma decisão madura e preferiu acreditar num projeto concreto a algo que poderia jogar sua carreira novamente de ostracismo.

Reprodução Facebook

A verdade é que o Flamengo hoje é daqueles relacionamentos em que há muitos bens materiais e sentimentos conturbados. O Flamengo promete, seduz com pagamentos altos, infraestrutura, mas não entrega resultado. A instabilidade dos treinadores é diretamente proporcional ao êxito comercial da administração Bandeira de Melo.

Renato Portaluppi é o mais carioca dos gaúchos. É da praia, do futevôlei e da água de coco. No entanto, ficou alguns meses esquecido no balneário, até que o Grêmio, a velha casa, o chamou de volta.

Um projeto sólido, em que os dirigentes apostaram na reciclagem que Renato dizia ter passado. O Grêmio de Renato é um time que marca forte, vai pra cima e encurrala o adversário. Realmente, Renato evoluiu técnico, continua falastrão, mas adicionou competência e conhecimento tático ao seu estilo boleiro. Talvez no Grêmio, Renato esteja como Carlinhos era no Flamengo.

O Flamengo está numa encruzilhada. O treinador que assumir terá uma semana para estreia no brasileiro e 10 dias para um jogo dificílimo contra o Santa Fé, numa partida sem torcida no Rio.

Eu acho que o clube deveria apostar em Mauricio Barbieri. Ele conhece o clube e os jogadores, conhece bem o novo diretor de futebol e pode ter algum êxito.

O ano do Flamengo será complicado, o elenco caro não deu respostas em campo. Parece um time apático. No amistoso contra o Atlético Goianiense, a equipe fez um primeiro tempo apático e perdeu por um a zero. No segundo, Diego despertou do sono que parece acometê-lo desde o ano passado e fez dois golaços.

No mais, acho um absurdo que a despedida de Júlio César seja numa partida valendo pontos. É um risco sob todos os sentidos. O Flamengo tem que acordar. Parece o que se convencionou chamar de “novo rico”. Gasta com coisas sem necessidade e deixa passar coisas fundamentais, como por exemplo, títulos. Se ano passado ganhou o carioca, este ano nem esse consolo deu ao seu torcedor.

Por Creso Soares

A aula de jornalismo que Juninho Pernambucano tomou involuntariamente

Palavras ditas não voltam à boca. Por mais que queira se desculpar, Juninho Pernambucano arrumou uma encrenca da boa com a torcida do Flamengo. O comentarista generalizou ao dizer que a torcida é preconceituosa com o lateral esquerdo Rene, porque ele é “feio e nordestino”.

Juninho é companheiro de bancada de Junior, um dos maiores ídolos da história do Flamengo. Ora, Júnior é paraibano. O ídolo de Zico se chamava Dida, nascido em Alagoas. Talvez seja bom fazer um rápido inventário de ídolos rubro-negros nascidos no Nordeste. Nunes, sergipano. Bebeto, baiano. Obina, baiano. Ronaldo Angelin, cearense. Hernane Brocador, baiano. Não vou entrar no mérito se são feios ou bonitos, isto é subjetivo.

Juninho foi um belíssimo jogador. Tem um nível sociocultural diferente do que grande parte dos outros atletas. Sua vivência no futebol europeu poderia ser de grande valia para as discussões sobre a melhoria do futebol por aqui. No entanto, se precipitou. Toda generalização é obtusa. Há pessoas preconceituosas que torcem pelo Flamengo, pelo Vasco, pelo Sport e pelo Lion, pois o preconceito é uma chaga do ser humano.

Então, ele vai sentir agora na pele que suas palavras precisam ser medidas. Estigmatizar grupos é um preconceito e é segregação.

Juninho foi também corporativista e indelicado. Endossou um discurso preconceituoso ao dizer que só podem opinar dirigentes que jogaram futebol. Tentou defender uma reserva de mercado. João Havelange, que vão foi a pessoa mais íntegra da face da terra, mudou o futebol brasileiro e depois o mundial de patamar. Era atleta de polo aquático. Paulo Machado de Carvalho, comandante da delegação brasileira na Copa de 58 era empresário. Então, alguém com tanta bagagem cultural deveria ter uma visão mais holística do jogo.

No entanto, o maniqueísmo contamina  as pessoas. O comentário que Juninho fez tem muitas coisas certas. O Flamengo bem arrumado nas contas continua sendo uma zona no futebol. Não se pode chegar a tal grau de desespero por uma derrota para um rival tradicional.

Tem que repensar a estratégia do Flamengo. Administrador competente do cofre, Eduardo Bandeira de Melo tem cabeça de torcedor. E sendo ano de eleição na Gávea, sucumbiu às pressões eleitoreiras.

Para falar a verdade, Carpegiani nem deveria ter entrado. Apesar de falarem das antigas relações dele com a Gávea, o clube não é o mesmo que era há 18 anos, data da sua última passagem.

Infelizmente, Juninho teve uma aula do que pode ser o jornalismo. Falou muitas coisas certas, mas vacilou e falou besteira. Nessa caiu numa lei elementar que se aprende nas universidades de Comunicação: jornalismo é separa o joio do trigo e publicar o joio.

Por Creso Soares