Renato disse não ao Flamengo. Você diria sim?

Renato disse não ao Flamengo. Você diria sim?

Renato Gaúcho disse não ao Flamengo. Ele preferiu continuar no Grêmio onde é ídolo incontestável, manda prender e manda soltar. Acho que o treinador teve uma decisão madura e preferiu acreditar num projeto concreto a algo que poderia jogar sua carreira novamente de ostracismo.

Reprodução Facebook

A verdade é que o Flamengo hoje é daqueles relacionamentos em que há muitos bens materiais e sentimentos conturbados. O Flamengo promete, seduz com pagamentos altos, infraestrutura, mas não entrega resultado. A instabilidade dos treinadores é diretamente proporcional ao êxito comercial da administração Bandeira de Melo.

Renato Portaluppi é o mais carioca dos gaúchos. É da praia, do futevôlei e da água de coco. No entanto, ficou alguns meses esquecido no balneário, até que o Grêmio, a velha casa, o chamou de volta.

Um projeto sólido, em que os dirigentes apostaram na reciclagem que Renato dizia ter passado. O Grêmio de Renato é um time que marca forte, vai pra cima e encurrala o adversário. Realmente, Renato evoluiu técnico, continua falastrão, mas adicionou competência e conhecimento tático ao seu estilo boleiro. Talvez no Grêmio, Renato esteja como Carlinhos era no Flamengo.

O Flamengo está numa encruzilhada. O treinador que assumir terá uma semana para estreia no brasileiro e 10 dias para um jogo dificílimo contra o Santa Fé, numa partida sem torcida no Rio.

Eu acho que o clube deveria apostar em Mauricio Barbieri. Ele conhece o clube e os jogadores, conhece bem o novo diretor de futebol e pode ter algum êxito.

O ano do Flamengo será complicado, o elenco caro não deu respostas em campo. Parece um time apático. No amistoso contra o Atlético Goianiense, a equipe fez um primeiro tempo apático e perdeu por um a zero. No segundo, Diego despertou do sono que parece acometê-lo desde o ano passado e fez dois golaços.

No mais, acho um absurdo que a despedida de Júlio César seja numa partida valendo pontos. É um risco sob todos os sentidos. O Flamengo tem que acordar. Parece o que se convencionou chamar de “novo rico”. Gasta com coisas sem necessidade e deixa passar coisas fundamentais, como por exemplo, títulos. Se ano passado ganhou o carioca, este ano nem esse consolo deu ao seu torcedor.

Por Creso Soares

A aula de jornalismo que Juninho Pernambucano tomou involuntariamente

Palavras ditas não voltam à boca. Por mais que queira se desculpar, Juninho Pernambucano arrumou uma encrenca da boa com a torcida do Flamengo. O comentarista generalizou ao dizer que a torcida é preconceituosa com o lateral esquerdo Rene, porque ele é “feio e nordestino”.

Juninho é companheiro de bancada de Junior, um dos maiores ídolos da história do Flamengo. Ora, Júnior é paraibano. O ídolo de Zico se chamava Dida, nascido em Alagoas. Talvez seja bom fazer um rápido inventário de ídolos rubro-negros nascidos no Nordeste. Nunes, sergipano. Bebeto, baiano. Obina, baiano. Ronaldo Angelin, cearense. Hernane Brocador, baiano. Não vou entrar no mérito se são feios ou bonitos, isto é subjetivo.

Juninho foi um belíssimo jogador. Tem um nível sociocultural diferente do que grande parte dos outros atletas. Sua vivência no futebol europeu poderia ser de grande valia para as discussões sobre a melhoria do futebol por aqui. No entanto, se precipitou. Toda generalização é obtusa. Há pessoas preconceituosas que torcem pelo Flamengo, pelo Vasco, pelo Sport e pelo Lion, pois o preconceito é uma chaga do ser humano.

Então, ele vai sentir agora na pele que suas palavras precisam ser medidas. Estigmatizar grupos é um preconceito e é segregação.

Juninho foi também corporativista e indelicado. Endossou um discurso preconceituoso ao dizer que só podem opinar dirigentes que jogaram futebol. Tentou defender uma reserva de mercado. João Havelange, que vão foi a pessoa mais íntegra da face da terra, mudou o futebol brasileiro e depois o mundial de patamar. Era atleta de polo aquático. Paulo Machado de Carvalho, comandante da delegação brasileira na Copa de 58 era empresário. Então, alguém com tanta bagagem cultural deveria ter uma visão mais holística do jogo.

No entanto, o maniqueísmo contamina  as pessoas. O comentário que Juninho fez tem muitas coisas certas. O Flamengo bem arrumado nas contas continua sendo uma zona no futebol. Não se pode chegar a tal grau de desespero por uma derrota para um rival tradicional.

Tem que repensar a estratégia do Flamengo. Administrador competente do cofre, Eduardo Bandeira de Melo tem cabeça de torcedor. E sendo ano de eleição na Gávea, sucumbiu às pressões eleitoreiras.

Para falar a verdade, Carpegiani nem deveria ter entrado. Apesar de falarem das antigas relações dele com a Gávea, o clube não é o mesmo que era há 18 anos, data da sua última passagem.

Infelizmente, Juninho teve uma aula do que pode ser o jornalismo. Falou muitas coisas certas, mas vacilou e falou besteira. Nessa caiu numa lei elementar que se aprende nas universidades de Comunicação: jornalismo é separa o joio do trigo e publicar o joio.

Por Creso Soares

Você gostaria de Guerrero no seu time?

Qual será o Paolo Guerrero que retomará aos campos pelo Flamengo em maio? Duas nações estão na expectativa. A rubro-negra e a peruana. A camisa do astro é a número 9, mas deveria ser um enorme ponto de interrogação.

A começar pela disposição de continuar no Flamengo. O peruano nunca foi artilheiro por onde passou. Foi mais o cara de gols decisivos, como os do título mundial do Corinthians em 2012. No entanto, no Flamengo um camisa 9 tem que “botar a bola pra dentro”.

Desde Fio Maravilha, passando por Nunes, Obina, e Brocador, a torcida prefere o folclórico artilheiro ao técnico que faça poucos gols. Por favor. Adriano não entra nesta conta. Era craque. Romário também não, era gênio.

Guerrero joga mais para o time, mas perde muito gol e isso irrita o torcedor. Logo, uma mudança de ares não está afastada da cabeça do atacante.

Um segundo aspecto a se levar em conta. Guerrero tem 34 anos. Os estudos da fisiologia contemporânea aumentaram a longevidade da carreira do jogador. O peruano não teve muitas lesões graves e isso conta a seu favor. No entanto, ele está parado há cerca de quatro meses e mesmo que tenha treinado forte neste tempo, a falta de ritmo de jogo é cruel para os atletas de alta performance.

Guerrero poderá ser escalado nas duas últimas partidas da primeira fase da Libertadores contra Emelec e River Plate. Mas será que jogará com todo empenho do mundo nesses jogos? Afinal a grande realização de um atleta é disputar uma Copa. A realidade brasileira de ir a todos os mundiais nos faz esquecer que não é assim em todos os países. O Peru não vai a um mundial desde 1982. Não existe expectativa de título, mas além da realização pessoal, uma boa Copa de Guerrero pode abrir portas para mercados mais rentáveis do que o brasileiro.

O Flamengo ter interrompido o contrato com o jogador, uma prerrogativa jurídica do clube, pode ter azedado a relação. Talvez o clube devesse ter encontrado algum caminho para que Guerrero não se sentisse abandonado no momento mais difícil de sua carreira.

Há um problema prático para o Flamengo. Vizeu vai embora, Dourado não repete a temporada anterior no Fluminense e Lincoln, aos 17 anos, precisa amadurecer. Ou seja, o time não tem um centroavante a altura de Guerrero. Abrir mão dele pode representar prejuízo para as sempre altas pretensões rubro-negras na temporada.

O fato é que diante da falta de opções no mercado, o Flamengo precisa de Guerrero. Apesar de não ser uma unanimidade nas arquibancadas e para quem cuida dos cofres do clube.

Por Creso Soares