A Copa de Neymar começa agora

A Copa de Neymar começa agora

Camisa 10 é decisivo na hora H

Neymar estreou na Copa. E amigos, quando Neymar joga, é um dos melhores do planeta. Fez gol, deu passe para o segundo chamou o jogo, pendurou os marcadores e não caiu na pilha. Foi agredido covardemente e mesmo assim não perdeu a cabeça. Esse Neymar pode ir longe.

Willian estreou na Copa. Foi o jogador insinuante do Chelsea, ajudou Fagner na marcação e fez várias arrancadas. Outro destaque do time de Tite é Thiago Silva. O ex-tricolor está numa forma espetacular. Arrebentou, foi o xerife, comandou a defesa.

Acho que devemos reparar uma injustiça. Gabriel Jesus merece muitos elogios. No futebol solidário de hoje, seu papel é fundamental. Ele abre espaços. Sua movimentação permite às ações dos outros companheiros. Além disso, marca, auxilia o lado esquerdo da defesa. Espera-se gols do camisa 9, mas ele contribui de outras formas. A barra de ser titular da seleção aos 21 anos é para poucos.

Nem tudo foi maravilhoso. No primeiro tempo, o Brasil foi dominado territorialmente. Apesar do México ter controlado às ações, não conseguiu chutar muito. Na próxima fase, Tite terá que entender como agir quando for atacado.

O Brasil fez um segundo tempo gigante. O dado ruim foi ter perdido o Casemiro para a próxima partida. Tomara que Fernandinho mantenha a pegada do meio-campo do Real Madrid.

Vou falar uma heresia. Prefiro o Felipe Luís na lateral. Ele marca melhor. Esse time do Brasil tem uma tendência a ser atacado, ou como dizem atualmente, um time que sabe sofrer; Por essa característica, acho que um lateral mais marcador encaixaria melhor em partidas contra adversários qualificados, que buscam o ataque.

No mais, essa seleção Brasileira me passa a impressão de ser parecida com o Corinthians de Tite, campeão Mundial de 2012. Um time muito sólido defensivamente que é certeiro quando vai ao ataque. Com a vantagem de ter mais qualidade técnica do que a equipe que lhe parece ter servido de espelho.

A seleção brasileira enfrenta qualquer time com chance de vencer. Pode ser Croácia, França, Bélgica, Uruguai, Colômbia ou Inglaterra. O Brasil pode não ser campeão, mas é um time fortíssimo, que superou completamente o desastre de 2014.

Por Creso Soares

*fotos: Lucas Figueiredo – CBF

A parada é fugir da Alemanha

A parada é fugir da Alemanha

Atual campeã volta a despontar como favorita

Em duas rodadas de Copa a gente constatou algo preocupante: há algumas seleções que estão jogando mais bola do que o Brasil. A Bélgica está triturando os adversários, por exemplo. Você pode argumentar que os países eram fracos, no entanto, a Costa Rica não é isso tudo e o Brasil penou. O segundo tempo da Croácia contra a Argentina foi esplêndido. Modric e Rakitic apavoram qualquer adversário. Esqueçam o amistoso em que o Brasil venceu a Croácia. Na Rússia é rock’n roll pesado.

O que falar da Colômbia que despachou a enganosa Polônia? O time europeu é o oitavo colocado do ranking da FIFA. Deu certa vontade rir deste ranking, mas aí, lembrei-me que nada da FIFA deve ser encarado com gargalhadas, o jogo é bruto por lá.

Uma coisa a se ressaltar sobre a Colômbia. Como chamou atenção meu amigo Alexandre Caroli, o time comandado pelo argentino Pekerman tem dois tipos de meia que o Brasil não tem. James Rodriguez e Cuadrado são dois jogadores que poderiam ser titulares no time do Tite. Fazem a Colômbia andar. Na partida contra a Polônia, os colombianos apresentaram o melhor futebol sul-americano no torneio. É irônico ver a Colômbia tão bem armada por um argentino e a seleção dos hermanos ser treinada por Jorge “Maluquinho” Sampaoli.

Bem, se alguém tinha alguma dúvida sobre a Alemanha, acho que ela foi embora. A partida mostrou algumas coisas. A primeira é bem padrão FIFA: ter camisa é fundamental. No primeiro tempo, houve um pênalti claro a favor dos suecos, mas vossas senhorias eletrônicas e humanas nem esboçaram reação.

Obviamente, a marcação do pênalti teria mudado completamente o andamento do jogo. Outra observação é sobre a intensidade de jogo da Alemanha. O zagueiro, veja bem – o zagueiro Boateng – jogou tão avançado que entrou na área da Suécia sem ser em lance de bola parada. Ele era o armador do time em alguns momentos. Se você quiser entender o que é compactação no futebol, veja uma partida do time de Joachim Low. A Alemanha vai pressionando o adversário a tal ponto que dá a certeza que vai fazer o gol. E olha que o Boateng foi expulso aos 35 do segundo tempo.

E tem o Kroos. A confiança do sujeito é tão grande que ele arriscou o chute no último lance do jogo, de um local improvável. Meteu a bola no único lugar que ela poderia entrar. Um monstro! E olha que foi sem carretilha com o time na frente, sem cai-cai e sem choro.

A Alemanha é a favorita do mundial. O resultado de sábado é daqueles que levantam o time. Para derrubar uma seleção assim, nem com tanque de guerra. A atual campeã conseguiu realizar a primeira virada da Copa. Os times da chave do Brasil têm duas preocupações: se classificar e fugir da Alemanha.

Por Creso Soares

*fotos:© Getty Images

Seleção tropeça na estreia

Seleção tropeça na estreia

Neymar, Marcelo e Gabriel Jesus não veem a cor da bola

O Brasil não é essa Coca-Cola toda, até porque, a cota de patrocínio de bebidas da CBF é do Guaraná Antárctica. Neymar deve ter comido poucos Big Macs antes da partida contra a Suíça. Gabriel Jesus deveria ter feito uma ligação para sua mãe com seu celular Vivo para ver se ele voltava melhor no segundo tempo. Talvez Tite possa justificar que a TV do árbitro de vídeo não era Samsung e na hora dos lances polêmicos, os pixels brancos atrapalharam.

Fato, a seleção brasileira é cheia de compromissos comerciais, mas o compromisso com a bola cessou ainda noite primeiro tempo, logo após abrir o placar.

O empate com a Suíça só deixa uma opção para o time da CBF: vencer os outros dois jogos, se não quiser voltar na primeira fase, algo que aconteceu em 1966, ou seja, há 52 anos.

O fato é que o juiz era mexicano e na quarta-feira, o presidente interino da CBF, Coronel Nunes, traiu um pacto continental e votou contra o México, os EUA e o Canadá para escolha da sede da Copa de 2026.

Arnaldo Cézar Coelho, que entende desses babados, disse que a CBF não tem ninguém que pressione a arbitragem, para minimizar os erros contra a seleção brasileira. Amigos, futebol não se decide apenas dentro de campo. As vergonhas da CBF cobram um preço. No momento, a principal é essa: o Brasil é um pária de representatividade e a maioria das decisões políticas será tomada contra o país no âmbito futebolístico.

Não tenho outra expressão para usar que não seja o velho e bom “bem feito”. Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero devastaram o prestígio de bastidores do país no mundo da bola. A atitude do Coronel Nunes na votação da escolha da sede de 2026 sepultou qualquer chance de “bons olhos” que o país pudesse ter.

Em 1962, duas decisões da arbitragem ajudaram o Brasil. No jogo Brasil e Espanha, Nilton Santos fez um pênalti, deu dois passos para frente e o juiz não marcou a falta dentro da área. E Garrincha, expulso na semifinal contra o Chile, jogou a final graças a uma súmula benevolente do árbitro do jogo.

Vemos pela “operação” praticada na estreia da Copa, que o Brasil não tem mais prestígio nas entidades futebolísticas internacionais.

A seleção da CBF vai ter que jogar muito e torcer para ganhar, apesar da arbitragem da mundial. Este talvez seja o maior problema da seleção: o time “virar o fio” no momento crucial. O Brasil de Tite terá que mostrar se será o Brasil de 58 de Feola, grande campeão, ou o Brasil de Feola, em 66 eliminado na primeira fase.

O que se viu contra a Suíça foi desalentador. Time lento, sem criatividade em que Neymar, Marcelo e Gabriel Jesus não entraram em campo. Acho que o Canarinho Pistola ficou mais irritado do que de costume.

Por Creso Soares

*Fotos:  Lucas Figueiredo/CBF