Domingo da Vergonha

Domingo da Vergonha

Diretoria estraga final da Taça Guanabara

Eu havia escrito um texto sobre a situação do Flamengo. Para não demonstrar alienação, eu colocaria o resultado da Taça Guanabara no fim. No entanto, os dirigentes do Vasco e do Fluminense me obrigaram a fazer um outro texto.

Não há santos nessa disputa. O presidente do Fluminense irresponsavelmente declarou guerra ao Vasco. Por sua vez, o presidente do Vasco  mandou a torcida ir para o estádio mesmo com a determinação judicial de que a decisão fosse disputada com portões fechados.

A pequenez dos dirigentes de dois clubes tão grandes resultou em cenas lamentáveis do lado de fora. Vinte e mil pessoas foram ao Maracanã. A polícia teve que usar bombas de efeito moral para conter a multidão. Havia crianças e pessoas idosas.

Em vez de uma festa, a decisão da Taça Guanabara foi um velório do futebol do Rio de Janeiro. Pouco mais de uma semana da página mais triste da história do Flamengo, Vasco e Fluminense são sua contribuição para o momento lamentável que vive o estado do Rio.

O resultado da Taça Guanabara é menor, diante do que a intransigência  dos cartolas provocou. Fica difícil defender o Campeonato Carioca diante dessa vergonha. Não conseguir decidir a posição das torcidas no estádio.

Para complicar ainda mais a situação, aos 30 minutos do primeiro tempo, a justiça do Rio que proibira a entrada dos torcedores, autorizou a abertura dos portões. É uma palhaçada, atrás da outra.

E a bola rolando é relegada ao segundo lugar. Dirigentes e Poder Judiciário assumiram o protagonismo. Diante desta falta de seriedade, a torcida do Flamengo não pode mergulhar o clube numa crise porque perdeu um jogo neste torneio medíocre.

Eu era uma das pessoas que levavam o estadual a sério, mas diante da tibieza da Federação comandada por um inacreditável Rubens Lopes e a pequenez dos dirigentes, não adianta tentar defender. Uma vergonha.

Ah, vinte e nove mil pessoas entraram e viram o Vasco bater o Fluminense e ser campeão com 100 por cento de aproveitamento. Era para se só isso que importasse. Mas não foi.

Por Creso Soares

O Flamengo tem culpa

O Flamengo tem culpa

 A tragédia tem que fazer o país pensar na infância

O Clube de Regatas do Flamengo tem que pagar pela responsabilidade que tiver nas mortes dos 10 meninos. Estar sem alvará e documentos exigidos pelos órgãos fiscalizadores é muito grave, apesar de ser muito comum. O argumento de que o Flamengo não é o único nesta situação não faz sentido. Há 10 mortes e elas aconteceram numa área sob a responsabilidade do clube. Haverá lutas jurídicas, argumentações mil, mas há um fato. As vidas dos meninos não voltarão.

Pela primazia da tragédia, o Flamengo se tornará o símbolo de como as categorias de base são tratadas no Brasil. É importante ressaltar que os garotos que jogam no rubro-negro encontram condições de trabalho melhores do que em 99% dos clubes do país. A instituição sempre valorizou esses talentos. Atitude explicitada com o lema “Craque, o Flamengo faz em casa”. Mesmo assim, os meninos dormiam em contêineres, confortáveis, porém inapropriados, segundo as normas civis. A polícia tem que fazer a parte dela e investigar. Tem que haver todo o trâmite jurídico para condenar o clube.

Vemos no caso uma mistura de incompetência e insensibilidade. É importante que os processos para expedição de documentos como os necessários para o Ninho do Urubu fiquem claros. Que tamanhas exigências são essas que o clube não consegue cumprir? Deveria ser interesse tanto do clube, quanto do órgão fiscalizador, que a documentação estivesse correta.

Os meninos da base, por mais que possam se transformar em ativos preciosos para o clube como Vinicius Jr e Paquetá, são tratados nesta fase com a atenção e investimento que sobram do que é dado ao time profissional. O exemplo aqui é o Flamengo, mas essa realidade é a mesma ou pior na esmagadora maioria dos times brasileiros.

O caos administrativo em que o Flamengo viveu até o início desta década deixou marcas. Um exemplo, é que a primeira vez que se tentou legalizar as instalações do CT foi em 2010. De lá para cá, o clube já está no terceiro presidente. Uma pauta periférica que poderia evitar a repetição da tragédia é um levantamento sobre as grandes casas de show da cidade, centros de convenção e afins para ver se  elas são seguras e estão com a documentação em dia.

O momento de solidariedade com o clube acabou. Agora a opinião pública se solidariza às vítimas e aperta as cobranças sobre o Flamengo. Isso é o certo, mas a indignação brasileira tem que deixar de ser episódica e pontual.

Reclama-se que o Flamengo tenha deixado os atletas da base dormindo em condições precárias, mas não nos preocupamos com as condições que a maioria daqueles jogadores enfrentou até ali. Roubamos essas infâncias. E nem nos damos conta.

Quando encontramos alguns desses meninos nos sinais fechados, apressadamente subimos o vidro do carro. Nossa sociedade tem que se preocupar com a infância como um todo e não só quando acontecem tragédias assim.

Esses meninos venceram várias etapas para superar desafios que a desigualdade do país os impôs. Não completar a missão talvez seja a face mais cruel da história. Essa tragédia tem que nos ajudar a mudar a realidade de que o futebol é uma das poucas maneiras de transformar a vida de uma criança que nasce pobre no Brasil.

Por Creso Soares

As trapalhadas da CBF

As trapalhadas da CBF

Desordem na entidade respinga na seleção de base

Jan Hurtado entrou driblando a zaga brasileira e chutou cruzado na saída do goleiro Felipe.  Venezuela 1 X 0. O número 9 infernizou os brasileiros. Fazendo o pivô, girando em cima dos zagueiros, puxando contra-ataques. Um azougue, diriam os mais antigos. O segundo gol do veio num lance de oportunismo. E a Venezuela saiu vencedora no confronto com a seleção sub-20 da CBF. 

Rodrygo, o atacante de € 45 milhões, foi expulso no fim da partida. Apagado, não conseguiu nenhum lampejo, sendo anulado pelo excelente esquema de marcação da seleção “vinho tinto”. O resultado da partida é histórico. Pela primeira vez os venezuelanos deixaram o campo vitoriosos contra o Brasil no sub-20. 

O resultado está longe de ser surpreendente. Se for feita uma análise, descobre-se a razão. O técnico Dudamel acumula o comando das seleções sub-20 e principal da Venezuela. Está fazendo um trabalho de dois anos. Fez 34 convocações e disputou vários torneios internacionais, dando rodagem aos seus jogadores. 

A seleção da CBF é treinada por Carlos Amadeu, que fez 6 convocações. Logo, não tem o conhecimento do grupo que o rival na partida de sexta-feira tinha. O trabalho de base do Brasil estacionou. Obviamente, foi dragado pela confusão política da CBF. Não se passa impunemente por Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero. 


Acompanhando a transmissão do Sportv, soube-se que uma das soluções para tentar fazer com que os jogadores brasileiros recuperassem a alegria de jogar foi levá-los a uma churrascaria chilena. Inusitada a proposta. A julgar pelo resultado contra a Venezuela, pouco adiantou. A carne devia estar dura. 

Talvez esteja chegando o momento de se reconhecer que o Brasil  não é mais o país do futebol. A falta de planejamento matou a essência do esporte por aqui. Falta planejamento e falta profissionalismo. Na base, a Inglaterra domina, na principal a seleção francesa é o time a ser batido atualmente. 

 

Por Creso Soares