O último Romântico

O último Romântico

Renato Gaúcho deveria ser preservado e não punido. 

O mundo não é um lugar simples. Vejamos o caso de Renato Gaúcho. Estou tentado a dizer que o técnico do Grêmio é o último romântico do futebol brasileiro. Os vídeos postados pela filha na rede social que mostram Renato se esbaldando enquanto os colegas fazem o curso da CBF são quase infantis. E corroboram a minha tese.

Lembro quando no intervalo entre a primeira e a segunda partida da decisão do brasileiro de 1992, Renato participou de um churrasco com jogadores do Flamengo por causa de uma aposta perdida com Gaúcho. A brincadeira valeu ao talentoso camisa 7 a suspensão da segunda partida.

Entendo que se os técnicos quiserem elevar o profissionalismo da categoria, o certificado da CBF é um passo, sem dúvida. A profissão precisa ser tratada com mais respeito pelo mundo do futebol. São necessárias cláusulas nos contratos, ou mesmo no regulamento das competições impedindo a ciranda dos treinadores. A grande dúvida é se Renato, com mais de 40 anos de “praia futebolística” precisa desta burocracia.

Obviamente, encontros para troca de ideias são necessários. Os técnicos aprendem uns com os outros, na medida do possível. Por exemplo, Mauricio Barbieri e Alberto Valentim, com toda certeza precisam desse certificado. No entanto, Dunga, por exemplo não deveria precisar. Casos como os de Renato e Jorge Sampaoli deveria ser uma escolha e não uma imposição. Deveriam ser criados alguns critérios para dar uma espécie de certificado honorário.

Renato não chegou agora no ônibus, pode pegar o lugar na janela, para usar a frase de outro “malandro” do futebol, Romário. Ele sempre foi marrento. Isso o fez chegar aonde chegou dentro de campo. Fora de campo deu um enorme salto de qualidade no comando do Grêmio. A Libertadores coroou essa maturidade atingida.

As idas à praia deveriam ter sido tratadas como mais uma fanfarronice. Impedir Renato de treinar o Grêmio pune o futebol, não só o clube gaúcho. Que a CBF encontre uma forma de contornar a encrenca que sua própria insensibilidade criou.

Mudando de assunto. O Flamengo não precisa de Felipe Mello. Acho que uma figura como ele não agrega ao time. Descontrolado, a seleção brasileira já teve nele um dos grandes culpados na derrota de 2010. Fique no Palmeiras com seu pitbulbol. Outra coisa: o atacante Pablo não vale nem os R$ 7 milhões de euros que o Flamengo ofereceu, ainda mais os R$ 10 milhões que o Athletcho Pharanaenshe quer. Que o jogador fique no Paraná até que um trouxa tope pagar. A torcida do Flamengo conhece “promessas” do Furacão. O último a aportar na Gávea foi Marcelo Cirino.

por Creso Soares

Chapa derrotada no Fla mudou o clube

Chapa derrotada no Fla mudou o clube

Se sobrou dinheiro, faltaram títulos na gestão EBM

Eduardo Bandeira de Mello está na história do Clube de Regatas do Flamengo. Pode não estar na galeria dos mais carismáticos, como Márcio Braga e Kleber Leite. No entanto, transformou o Flamengo. Afastou a fama de mau pagador, equacionou uma dívida desesperadora e foi à luta por títulos.

O clube mudou de patamar financeiro, construiu finalmente um CT e, se parar de insistir numa relação bandida com o Maracanã, tem chances de construir seu estádio. Aliás, essa deveria ser a prioridade da próxima administração.

Em termos de resultado, não se pode dizer que Eduardo Bandeira de Mello tenha sido um desastre. Ganhou uma Copa do Brasil. O Flamengo tinha conseguido esse título duas vezes. Em 1990 e 2006. Venceu dois cariocas, o que é muito pouco, dada a diferença financeira em relação aos outros times do Rio, e foi três vezes vice campeão. Copa do Brasil 2017, Sul-americana 2017 e Brasileirão 2018.

Por falar nisso, os 72 pontos obtidos pelo Flamengo em 2018 configuram o melhor desempenho rubro-negro desde que os pontos corridos foram disputados por 20 clubes. Para se ter uma ideia, em 2009, quando conseguiu o hexacampeonato, o Flamengo fez 67 pontos. O desempenho do Palmeiras foi fora da curva e isso tirou qualquer chance de título dos cariocas.

Mas uma coisa é inegável, a torcida tem saudades do Flamengo “deixou chegar”, ou do “tão deixando a gente sonhar”. Nesse ponto, a administração que sai do clube deixou a desejar. O Flamengo da era EBM deixou no coração do torcedor um certo sentimento de “amarelão”. Escorregou em momentos cruciais e por isso não ganhou mais títulos.

Bandeira de Mello se saiu pior ainda quando tentou por a mão diretamente no futebol. Aí, foi uma sucessão de trapalhadas. Trocou de técnico absurdamente. Apostou equivocadamente em Reinaldo Rueda e Paulo Cesar Carpegiani. Por essas e outras, o time perdeu um tempo precioso de preparação.

Rodolfo Landim foi eleito com quase o dobro de votos do candidato de EBM, Ricardo Lomba. Não foi um bom ano eleitoral para Bandeira. Viu seu candidato perder e ele mesmo não conseguiu se eleger deputado federal.

Que a nova administração rubro-negra mantenha a responsabilidade fiscal e financeira. Que o time continue com capacidade de investimento e que gaste bem o tanto que arrecadou. “Uma hora os títulos chegam”, diz um resignado otimista. Que esse ano seja 2019, porque se não for, o novo presidente pode cair em tentação, daí é um pulo para cometer desatinos econômicos na tentativa que o Flamengo seja campeão.

Mudando de assunto. Independentemente do resultado, o grande derrotado da final da Libertadores foi o futebol sul-americano. Uma competição tão nojenta fora de campo só poderia ter uma final vergonhosa com o título sendo decidido submissamente em solo europeu.

O River Plate, super protegido pela Conmebol, foi campeão, jogou melhor, mas pela confusão no Monumental deveria ter sido punido com a perda do título.

  1. Amigo Alex Calheiros, você mora no meu coração. Obrigado por me convidar para escrever esta coluna, mas não tenho como deixar de lembrar uma coisa: o Vasco teve um goleiro chamado Andrada. O goleiro do Boca se chama Andrada. O Boca foi vice-campeão…

#pranãoperderapiada

Até semana que vem

Por Creso Soares

Melancolia e alívio dos cariocas

Melancolia e alívio dos cariocas

Os times do Rio têm muito pouco para comemorar

Lucas Merçon/Fluminense F.C.

Voltava da Barra da Tijuca com meus amigos Mauro Silveira e Alexandre Caroli. Ouvíamos o jogo do Vasco, mas entramos no túnel. “Estou com mau pressentimento. Coisas ruins acontecem dentro do túnel e quando a gente volta a ouvir, já era”. Vaticinou meu amigo Caroli, vascaíno até o último grau.

Ainda peguei o celular e entreguei para que ele abrisse o aplicativo e ouvisse, mas ele não quis: “Deixa assim”. Não adianta, chegar à última rodada dependendo de resultado é difícil. Depois de uma certa idade, passa ser perigoso.

Quando finalmente as ondas hertzianas venceram as rochas do túnel Zuzu Angel, entrou o plantonista que acompanhava o jogo Fluminense e América Mineiro: “depois do pênalti defendido por Júlio César…”

Meu amigo tricolor Mauro Silveira praticamente deu uma cambalhota no exíguo espaço do banco de trás do meu carro: “ah meu Deus! Como é que o cara dá uma notícia dessas assim? Com essa calma! Foi pênalti! E o Júlio César defendeu!”

Definitivamente, os times do Rio não merecem as torcidas que têm. Submeter pessoas engajadas como Caroli e Mauro a um sofrimento desses em uma tarde de domingo, engarrafados no trânsito de volta da Barra, é de uma crueldade atroz. Pouco depois, o plantonista da emissora informou que Richard acabara de fazer de cabeça o gol tricolor. Mauro fez uma festa. As partidas foram para o intervalo. Até aquele momento, tudo ia bem para os times do Rio.

Corremos para a casa do Mauro onde veríamos o segundo tempo. Confesso que apesar da situação definida do Flamengo na tabela, tive uma curiosidade quase antropológica de acompanhar o segundo tempo com os dois desesperados.

Chegando lá, cada um se plantou em frente a uma TV. Eu escolhi ver o jogo com o Caroli, afinal o Vasco estava em situação mais delicada. Achei que o gol de Richard resolvera a questão para o tricolor, como de fato resolveu.

Ceará e Vasco foi um dos jogos mais feios que tive oportunidade de acompanhar esse ano. Até Maxi López, o jogador de quem poderia se esperar alguma coisa em campo, parecia fora de sintonia.

“O São Paulo é um time muquirana e o Santos não está nem aí para o campeonato”, desesperava-se Caroli. Ele olhava fixamente a TV da sala. De quando em vez ouvíamos algum impropério gritado pelo Mauro que acompanhava o jogo no quarto. Houve um momento em que me preocupei. O Mauro ficou uns 5 minutos sem xingar a qualidade dos jogadores do tricolor. Perguntei se estava tudo bem: “Sim, o jogo está horroroso”.

Mas a tensão do Caroli era mais evidente. “Vai Kelvin. Perdeu.  Meu Deus, o que aconteceu com esse menino?” E aí começaram os gols em outros jogos. A Chapecoense abriu o placar contra o São Paulo. “Eu sabia. Não dá para contar com esse time”. O desespero bateu de vez quando o Sport abriu o placar contra o Santos. “Pronto, agora é o pior dos mundos. O Vasco não pode tomar gol”. Eu tentava animar o Caroli, mas também comecei a achar que o desfecho não seria bom. Amigos, é muito difícil torcer pelo Vasco. Fiz isso dois domingos seguidos, mas o time não ajuda.

Quando Samuel Xavier foi expulso, tive certeza de que a situação estava salva. Disse isso ao Caroli, mas ele só relaxou quando o juiz apitou o fim do jogo. “Não é para comemorar. É uma vergonha, mas não podia cair. Agora, tomara que esses caras planejem e montem um time melhor do que o desse ano”.

“O juiz deu 8 minutos aqui “, Mauro gritou colérico do quarto. Ele se juntou a nós na sala. “Esse time do Fluminense é horroroso”. De fato, é mesmo. Quando o árbitro apitou pela última vez, Mauro deixou o corpo cair no sofá e suspirou profundamente.

A temporada brasileira de futebol acabou e os times do Rio têm pouquíssimo a comemorar. Apenas o Botafogo ganhou um título, o combalido campeonato carioca.

O Flamengo com sua propalada estabilidade financeira nada conseguiu. A temporada de 2018 viu o time da Gávea perder as duas maiores promessas da base dos últimos 20 anos, Vinicius Jr e Lucas Paquetá. Além disso, pela primeira vez foi vice-campeão brasileiro. A gestão Bandeira de Mello acaba esta semana com dois cariocas e uma Copa do Brasil. Muito pouco para o poderio financeiro rubro-negro.

Que 2019 seja um ano diferente para os times do Rio, com mais vitórias e menos sufoco. O Mauro não merece, o Caroli não merece e eu não mereço. Ah, os botafoguenses também não merecem.

Por Creso Soares