Meus dez craques inesquecíveis

Meus dez craques inesquecíveis

Os meu quarenta anos de futebol

Nasci em 1971. Acompanho futebol desde 1978. Logo, não vi Pelé jogar ao vivo, mas assisti a inúmeros vídeos do Rei, desta forma, o tornarei hors concours nesta lista. Ele é o maior e ponto. Se os argentinos quiserem discordar, azar o deles. Então minha lista de 10 melhores engloba o razoável período de 40 anos. É bastante coisa, haverá escolhas óbvias, mas deixarei muita gente de fora e vou levar muita pancada por isso. Toda a lista é pretensiosa e parcial. Se você quiser, faça e compartilhe a sua.

10° Lugar – Sócrates

Capitão daquela seleção inesquecível do Brasil em 1982. O Doutor era um dos gênios do futebol arte. Era tão inteligente, que reconhecendo sua lentidão, passou a usar o calcanhar para que as jogadas ganhassem velocidade. Levou uma vida boêmia, mas era um monstro. A cabeça erguida e o passe preciso. Sócrates era imprevisível. A imprevisibilidade que só tem quem flutua acima dos homens comuns.

9º Lugar – Platini

Camisa 10 da França. Platini era o craque clássico, com visão de jogo. O drible petulante, o toque na bola era refinado e achava as soluções mais simples nas proximidades do gol. Chegou a duas semifinais de Copa, mas teve a Alemanha como algoz. Fora de campo, mostrou-se um dirigente comum, com o voo abatido por denúncias de corrupção. Dentro das quatro linhas, Michel Platini era um gênio.

8º Lugar – Ronaldo

Um jogador que aliava técnica e explosão física. Há um gol de Ronaldo ainda jogando pelo Barcelona em que os atacantes tentaram abatê-lo de todas as formas. E o fenômeno foi arrastando quem vinha pela frente. Superou a derrota de 98 e uma lesão terrível no joelho para ser um dos pilares da conquista do título em 2002. Enquanto levou vida de jogador, foi dos maiores, no fim sucumbiu ao peso. Mas ninguém é eleito três vezes o melhor do mundo sem motivos.

7º – Lugar – Zidane

O grande rival de Ronaldo em sua geração. Quando a bola se aproximava dele, parecia que queria se aninhar. Na final de 1998 liquidou a fatura para os franceses em dois gols de cabeça. No entanto, a partida de Zizou que mais me marcou foi a das quartas de final de 2006. O que o 10 da França fez na partida contra o Brasil vi poucas vezes num campo de futebol. Parecia que sozinho desnorteava a seleção brasileira. E como “pá de cal”, o gol que eliminou o Brasil saiu de uma cobrança de falta sua para os pés de Henry. A Copa de 2006 merecia que Zidane tivesse sido campeão. Se em 98 sua cabeça foi responsável pelos dois primeiros gols contra o Brasil, na Alemanha, o francês usou-a para desferir um golpe em Materazzi e saiu da história das copas pela porta dos fundos.

6º Lugar Ronaldinho Gaúcho

Como artista da bola, talvez tenha sido ao lado de Maradona, o maior. Em seu auge, ninguém conseguia marcar. Fazia gol de bicicleta, de cabeça, de falta, de pé esquerdo, direito, de arrancada…  o repertório dele parecia infinito. Depois da passagem pelo Barcelona, virou andarilho do futebol. Jogou ganhando somas nababescas, mas obtinha mais notoriedade fora das quatro linhas do que no jogo. Já longe do melhor, foi decisivo para que o Atlético-MG vencesse a Libertadores em 2013.

5º Lugar Cristiano Ronaldo

Gênio do gol. Eficiente ao extremo. Com o tempo foi aprimorando as finalizações. Tem um caráter dominante e assusta os defensores. Não decide sozinho, como mostrou na Copa do Mundo, mas se tivesse ajuda um pouco mais eficiente, faria a mágica de levar Portugal ao título. CR7 é uma máquina. A mudança para a Juventus vai mostrar se continua no auge ou se o inevitável declínio vai bater às portas do português.

4º Lugar – Messi

O argentino me passa impressão de ser um boneco de videogame “bugado”. Parece que tem uma hora que ele vai se aborrecer, pegar a bola, driblar todo mundo e entrar com bola e tudo. Meu amigo Alexandre Caroli discorda, mas num par ou impar de pelada, na atualidade, iria em Messi sem sombra de dúvida. Como os 30 anos chegaram, é necessário ver se o trono vai ser ocupado por outro. Lio, tal qual seu grande rival, é uma máquina. Sorte do mundo que tem esses gênios para apreciar.

3º Lugar – Romário 

Ninguém fazia um gol como Romário (por favor, já tirei Pelé das comparações). O Baixinho tinha um atalho para as redes. Romário transformou o “gol de bico” em obra de arte. Com menos de 1,70m fazia gols e gols de cabeça. Se colocasse na frente, acho que nem o Bolt pegaria.

Agora confesso certa indecisão quanto ao maior. Tenho argumentos técnicos/emocionais na escolha. Uma disputa entre qualidade e quantidade. Entre o coração e a razão. Vou apresentar minhas razões.

1ª Lugar – Zico/Maradona. 

A escolha por Maradona. O que fez na Copa do Mundo de 1986 só é comparável ao que Garrincha fez em 1962. O que fazia com a perna esquerda era magia. Fez uma das maiores jogadas individuais da história contra a Inglaterra no mundial do México. Não fez tantos gols quanto Zico, mas deu passes substanciais para vários companheiros de ataque. Maradona seria especial se fosse cantor de tango, líder espiritual ou qualquer outra coisa. Foi agraciado com o beijo dos grandes talentos. Não superou Pelé, mas defendeu isso com tanta paixão, que há pessoas que acreditam.

A escolha por Zico: fazia gols com as pernas direita e esquerda, cabeceava, driblava e era mais artilheiro. Fez mais de 800 gols, era o craque de dois dos maiores times da história: a seleção de 82 e do Flamengo campeão do Mundo. Não obteve no futebol italiano o que conseguiu no futebol brasileiro. Não ganhou uma Copa do Mundo.

Vou sair do muro: Zico foi o maior para mim. Sou Flamengo e o que vi fazer no Maracanã é indescritível, mas entendo que não concorde.

Por Creso Soares

Flamengo deixa escapar liderança

Flamengo deixa escapar liderança

Derrota para o time reserva do Grêmio mostra que Diego e Guerrero não têm substitutos

 Gilvan de Souza – flamengo.com.br

O São Paulo foi o grande vencedor da décima sétima rodada do Brasileirão. Além de tomar a liderança do Flamengo, o tricolor paulista viu muitos postulantes ao título como Cruzeiro e Palmeiras empatarem. Se não houver vencedor no confronto entre Internacional e Atlético-MG, o São Paulo vai abrir 5 pontos do terceiro colocado.

Apesar da badalação em torno do resultado contra o Grêmio, a verdade é que o Flamengo não conseguiu vencer nos dois primeiros dos nove jogos que tem a fazer no mês de agosto. Sem Paquetá, a partida contra o Cruzeiro pelas quartas de final da Copa do Brasil se mostra perigosíssima para o rubro-negro.

 Gilvan de Souza – flamengo.com.br

O jogo com do Grêmio colocou um pouco de realidade no elenco do Flamengo. Não é o Real Madrid dos trópicos, como a torcida quer acreditar. Reclama-se muito de Diego, mas sábado, o time sentiu muito a falta do camisa 10, ainda mais com a atuação desastrosa do jovem Jean Lucas. O garoto da base é promissor, mas ainda precisa amadurecer.

Enquanto não se resolve o impasse com Guerrero, Uribe mostra que não é a solução. Lincoln entrou depois da metade do segundo tempo e deu o único chute do Flamengo na direção do gol defendido por Paulo Victor.

 Gilvan de Souza flamengo.com.br

Com todo respeito ao profissional e à pessoa, mas o fato do atacante Jael, do Grêmio, ser a figura do jogo, mostra como foi sofrível a atuação rubro-negra. Zaga desentrosada, meio-campo disperso e ataque inoperante foram as razões para que o Flamengo fosse presa fácil do Grêmio. Em duas das três derrotas do Flamengo, Barbieri poupou muita gente e deu no que deu.

 Gilvan de Souza – flamengo.com.br

Também não vejo muita firmeza no time do São Paulo. Teve dificuldades com o Vasco dentro do Morumbi. O Vasco ainda precisa se encontrar e mesmo assim a vitória são-paulina saiu com alguma dificuldade. Se quiser se concentrar no Brasileirão, o Grêmio realmente pode atropelar no segundo do turno.

Entramos na semana que situação de Guerrero ata ou desata. O Flamengo deveria usar todo poder de persuasão para que o peruano renove. Não há no elenco um substituto. Depositar todas as expectativas nas costas de Lincoln pode queimar o jovem promissor. E agosto já começou a ser sangrento para o Flamengo: dois jogos e nenhuma vitória.

Por Creso Soares

O agosto sangrento do futebol brasileiro

O agosto sangrento do futebol brasileiro

Quem tiver casca grossa vai sobreviver

Duas reações no jogo Cruzeiro e São Paulo chamaram minha atenção. A primeira foi a reação de Nenê quando o técnico Diego Aguirre o substituiu. O jogador ficou insatisfeito, saiu fazendo beicinho. Sentou no banco, arremessou copinho d’água no chão, uma cena.

A outra foi justamente no segundo gol dos paulistas. O passe de Reinaldo encontrou Éverton livre para marcar. Os dois jogadores saíram vibrando cada um para o seu lado, fazendo a  sua festa. O tricolor paulista tem a melhor campanha desde a retomada do campeonato, mas foi estranha a reação dos jogadores, justamente no momento em que a liderança está ao alcance das mãos e o time vai conseguindo vitórias importantes fora de casa como contra o Cruzeiro e na partida com o Flamengo.

 Gilvan Souza/flamengo.com.br

Mudando o rumo da prosa, o futebol do Rio viveu uma rodada em que apenas o Flamengo tem motivos para comemorar. Despachou o Campeão da série B de 1987 por 4 a 1, com Marlos Moreno dando sinais de que quer disputar posição com o recém contratado Vitinho. Os cariocas abriram o placar com um gol de bico de Réver e cederam o empate no finzinho do primeiro tempo. No entanto, logo aos dois minutos da segunda etapa, o predomínio do jogo foi restabelecido por Paquetá. Éverton Ribeiro, com um golaço, e Uribe, com a fundamental ajuda do eterno Magrão, fecharam a goleada. O hexacampeão passeou e o placar de 4 a 1 foi até modesto.

 Carlos Gregório Jr/Vasco.com.br

Vasco e Botafogo foram inclementemente  batidos por Corinthians e Internacional, respectivamente. Não entendo o motivo esportivo para que o Vasco abra mão de São Januário. O time precisa somar o maior número de pontos possíveis para chegar ao fim do campeonato sem risco; A colina histórica é uma grande aliada para escapar de um eventual rebaixamento. O Vasco pode ter colocado no bolso alguns caraminguás pela partida em Brasília, mas nada compensará se o time cair novamente.

O Botafogo de Marcos Paquetá fez 4 jogos depois da Copa. Três derrotas e uma vitória. Tomou 7 gols e fez 1. Ou seja, um 7 a 1 em prestações. Se Atlético-PR e Santos engrenarem, a luz vermelha vai ficar intensa em Marechal Severiano. O América Mineiro, que muitos tinham na conta de um rebaixamento certo, começou a subir. Bateu o Santos na Vila.

 Lucas Merçon/Fluminense.com.br

Marcelo Oliveira tenta reeditar o trabalho que fez no Cruzeiro bicampeão brasileiro. No entanto, o elenco tricolor não é tão forte quanto tinha o time mineiro. Oliveira tenta retornar à primeira divisão dos treinadores do país, logo, ele e o Fluminense estão em momento de reafirmação. Pedro é bom centroavante, mas o time precisa de mais consistência depois de mais uma “Era Abel”.

Vai começar o agosto sangrento para os times brasileiros. Sabe quando você sai de férias, mete o pé na jaca no cartão de crédito e depois chega a fatura. Pois é, os clubes brasileiros vão encarar grandes desafios neste mês. As férias da Copa acabaram. O Flamengo vai enfrentar os fortíssimos Grêmio e Cruzeiro pela Copa do Brasil e pela Libertadores. Agora vai ficar comprovado quem tem elenco forte.

A gangorra de emoções entra no picadeiro. Os vitoriosos do meio da semana podem ser os derrotados de sábado e domingo, ou vice-versa. O calendário brasileiro é irracional. Quando entrar setembro, pode ter time que já esteja de “férias”, sem nada a postular em 2018.

Por Creso Soares