Acho que a Alemanha não parou de fazer gol

Acho que a Alemanha não parou de fazer gol

Copa do Mundo ainda não “esquentou” a torcida brasileira

A seleção brasileira segue para a Europa. Vai para onde verdadeiramente se sente em casa. Enquanto por aqui continuamos sem saber quando tudo vai se normalizar, o time da CBF se prepara para mais uma Copa do Mundo.

Senti uma nostalgia de quando tinha um segundo time, a seleção brasileira. Hoje não é mais assim. Com o público carioca então, essa relação está cada vez mais distante. Distância que é fruto do uso político do time com a camisa amarela, que levou dois jogos para o Mineirão e nenhum para o Maracanã na última Copa.

A entrevista que o lateral Marcelo deu após o jogo do Real Madrid contra o Liverpool foi sincera e desconcertante. A repórter perguntou se agora era concentração total na Copa do Mundo. Ele respondeu “hoje, não. Vou comemorar o título com meu time”. Ele está absolutamente certo, ele joga numa seleção mundial o ano todo. A seleção brasileira é um complemento. Marcelo já ganhou quatro vezes a Champions e ganhou 4 vezes o Mundial Interclubes. Se não ganhar a Copa do Mundo é apenas um título que perdeu.

Futebol é negócio. As cifras milionárias já tiraram a inocências dessas megaempresas que vestem uniformes e vão jogar. Cada um deles tem assessor de imprensa, nutricionista, psicólogo, advogado, um staff completo para cuidar daquela “pessoa jurídica”, que duas vezes na semana, durante 90 minutos, chuta uma bola e eventualmente, faz um gol.

Aqui não vai nenhuma crítica, é apenas constatação da realidade. E desde que ditadura Teixeira-Marin-Del Nero assumiu a CBF, esse império do dinheiro entrou no futebol brasileiro e não saiu mais.

A equação Dinheiro + Esporte enriquece poucos e muda as relações sociais no mundo da bola. E tudo vira um vale-tudo dentro de campo. Jogadores se tornam cada vez mais adeptos do futebol cafajeste.

A entrada do zagueiro Sergio Ramos, do Real Madrid, em Mohamed Salah, do Liverpool, é daquelas desclassificantes. Mas tem gente que diz que é “do jogo”, “futebol é pra homem” e outras bobagens que degradam um dos esportes mais bonitos que o ser humano poderia inventar.

Como lembrou meu amigo Eugênio Leal, Sérgio Ramos não pegava nem juvenil para o Rodrigo, mais um desses zumbis metidos a malandro que acham que o futebol é o campo das trapaças. E tem gente que aplaude, que diz: “todo time do mundo quer um Sergio Ramos”, ou “Rodrigo é um grande líder”.

E nesse espírito chega o Brasil para a disputa de mais uma Copa do Mundo. A verdade é que a distância que tenho de Neymar é a mesma que guardo de Messi e Cristiano Ronaldo. Nos jogos da seleção, vou me reunir com amigos e fazer aquela festa, mas a Copa vai servir para eu tirar férias do que realmente me importa no futebol, meu time de coração.

Se o Brasil ganhar, vai ser legal. Se perder, vai ser só mais uma rotina. Nasci em 1971, de lá para cá essa será 12ª Copa. Até o momento, vi a seleção brasileira perder mais do que ganhar. São 2 vitórias e 9 perdas de título. Então, não será novidade a derrota.

A CBF está no fundo do poço da moralidade, entregue a gângsters que são condenados pela justiça, mas não entregam o poder de fato. Se vencerem a Copa, esses usurpadores de uma paixão nacional só terão ainda mais vantagens nas suas armações. E os jogadores estão lá, instrumentos da negociata. Durante um tempo servem ao esquema, quando ficam velhos, tentam esticar uma sobrevida como comentaristas, técnicos ou dirigentes, ou então, simplesmente, são jogados fora.

Mas vai começar a Copa, quem sabe quando a bola rolar, o povo se empolgue. A verdade é que está mais fácil encontrar gasolina em posto do que rua pintada para a Copa do Mundo. Acho que a Alemanha não parou de fazer gol até agora. Já deve estar 777 a 1.

Por Creso Soares

One comment on “Acho que a Alemanha não parou de fazer gol

  • Disse tudo ,ainda tem Imbecil que diz que não foi falta e que atitude vdo Ramos não foi intencional!

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