Libertadores, o torneio da vergonha

Libertadores, o torneio da vergonha

Conmebol mostra toda sua incompetência na final frustrada

 

River Plate e Boca Juniors serão eternamente lembrados pelo que aconteceu no sábado dia 24 de novembro. A emboscada selvagem de torcedores do River ao ônibus do Boca mancha a história do futebol. É gravíssimo pelo ocorrido, é muito pior pelo fato de não haver a mínima garantia de que não se repetirá.

E antes que me acusem de estar particularizando a questão, digo, se as falhas de segurança tivessem ocorrido no estádio do Boca, o ônibus do River teria o mesmo destino. Por uma questão simples: a selvageria é planetária. Os seres humanos parecem cada vez mais empenhados em provar que são um projeto fracassado.

No futebol brasileiro fatos como esses são corriqueiros. Facções da torcida rubro-negra brigaram no jogo contra o Grêmio. A própria torcida do Flamengo aprontou na final da Sul-americana do ano passado e o time foi punido em três jogos com portões fechados.

Não adianta, se as entidades pusilânimes que comandam o futebol não tomarem atitudes enérgicas essa barbárie nunca acabará. O exemplo inglês deveria ser adotado para resolver o problema.

Em 1985, trinta e nove torcedores da Juventus morreram em confronto com hooligans que torciam pelo Liverpool. O jogo ocorreu na Bélgica. Como punição, todos os clubes ingleses foram banidos de competições europeias por 5 anos. Mais de 30 anos depois, vemos os jogos da Premier League disputados com a torcida perto do gramado sem registro de confusões.

Em 2015, foi o Boca que expôs o River ao perigo. Em 2018 foi a vez do River. A repetição das agressões mostra que a impunidade é a gasolina na fogueira dos criminosos. Se estivesse preocupada em resolver o problema, a Conmebol tiraria os clubes da Libertadores do ano que vem, pelo menos.

Quando aconteceu a confusão no Maracanã na final da Sul-americana eu defendi que o Flamengo fosse punido desta forma. Mas essa confederação historicamente corrupta nada fará.

Não estou sendo leviano ao chamar a Conmebol de corrupta. O livro O Delator, sobre a vida do empresário J Hawilla, mostra bem como é gerido o futebol no continente. Independentemente de quem vença, essa Libertadores é o torneio da vergonha.

Os dois times finalistas chegaram à decisão escalando jogadores de forma irregular, sem serem punidos pela confederação. Eu tenho uma tese incendiária. Os clubes brasileiros deveriam tratar a Libertadores como são tratados pela Conmebol. Desprezando, mandando times sub-20, enfim, esnobando.

O futebol brasileiro sobrevive sem a Libertadores, mas esse torneio mequetrefe, com arbitragens mal intencionadas, principalmente contra os times brasileiros, precisa do dinheiro dos clubes daqui, da nossa atratividade para vender o campeonato para o resto do mundo.

É óbvio que se meu time chegasse à final gostaria que ele vencesse, mas não tenho, como torcedor, obsessão por esse título. Honestamente, importo-me muito mais com o Brasileirão e com a Copa do Brasil. Prefiro ver um Flamengo e Corinthians a assistir um Flamengo e Boca.

E por falar em Brasileirão, parabéns ao Palmeiras. Campeão incontestável. Mais de 20 jogos sem perder. Um time que erra pouco, treinado por um técnico que muitos consideravam antiquado, ainda mais depois dos 7 a 1 da Copa de 2014.

O Palmeiras foi campeão graças ao elenco e ao pragmatismo. Um time que é implacável nas etapas finais. Ao Flamengo, resta lamentar os gols perdidos por Paquetá contra o próprio Palmeiras, Vitinho  contra o São Paulo e a inaceitável derrota para o Ceará no Maracanã.

Encerra-se de forma melancólica dentro de campo a gestão de Eduardo Bandeira de Mello. Em 6 temporadas, o clube mudou de realidade financeira, mas se apequenou em termos de títulos. E do outro lado da ponte aérea está o exemplo de como se investir. O Palmeiras tem um elenco competitivo e parte na frente de todos os rivais para a temporada de 2019.

por Creso Soares

 

Futebol LGBT+ ganha as telas

Futebol LGBT+ ganha as telas

Documentário “Soccer Boys” aborda militância do BeesCats no esporte

“SOCCER BOYS” TRAILER from Carlos Guilherme Vogel on Vimeo.

Por Flávio Amaral

Com sua missão de formar opinião, a mídia tem um papel fundamental na luta pela igualdade de direitos – isso vale também para a diversidade sexual e de gênero. A comunicação permite que busquemos informações capazes de nos esclarecer e transformar nossa visão de mundo sobre diferentes temas.

Foi com esse sentimento que o diretor Carlos Guilherme Vogel idealizou o documentário “Soccer Boys”, sobre a primeira equipe LGBT+ de futebol do Rio de Janeiro, o BeesCats. “Mostrar um futebol inclusivo, algo importante para todos. As pessoas precisam quebrar esse preconceito, e uma forma de fazer isso é contando histórias legais, de maneira a envolver as pessoas. Espero que as pessoas olhem para isso de uma forma diferente.”

A história contada – exibida pela primeira vez na última terça-feira no festival Mix Brasil, no Centro Cultural São Paulo, não foi apenas a do surgimento do time e da luta pela inclusão no esporte a partir de uma militância dentro e fora dos gramados. Foram também as histórias individuais que o grupo engloba, que reverberam na entrega de cada atleta em torneios como a Taça Hornet de Futebol da Diversidade, na qual a equipe de produção acompanhou o BeesCats.

“Durante o processo, participamos de eventos ligados ao time, nos aproximando mais para entender como funciona esse universo, até mesmo para não abordar de forma superficial. Buscamos compreender os mecanismos das relações”, conta Vogel, que idealizou o filme ainda em novembro do ano passado, na época da primeira Champions LiGay.

Parte da equipe do filme: o editor Marcelo Engster, o diretor Carlos Guilherme Vogel e a assistente de produção Ana Caroline Martins / Crédito: Samuca Bovo

Militância nas telas

O diretor ressalta a importância do cinema na conscientização sobre a temática inclusiva, trabalho que, segundo ele, também é de responsabilidade de outras mídias. Sobretudo no momento político vivido pelo país quanto à ameaça cada vez maior sobre os direitos da comunidade LGBT+, Vogel vê a importância do posicionamento como seu grande aprendizado ao se dedicar ao trabalho com o time.

“Fiquei mais convicto de que é importante nos posicionarmos, falarmos sobre o que tem de ser falado. Motiva muito ver como as pessoas que conduzem esse movimento se posicionam quanto aos seus desafios e suas questões pessoais de aceitação”, afirma o diretor, após os cerca de 6 meses de dedicação ao documentário.

“Devemos tentar passar mensagens através de histórias que consideramos importantes, para tentar mudar o pensamento das pessoas para melhor. Nesse caso, é tentar fazer as pessoas olharem para esse universo de outra forma, buscando gerar empatia e quebrar preconceitos. É tudo tão arraigado na nossa sociedade que às vezes é difícil parar, pensar e se reprogramar. Queremos garantir que todos tenham o mesmo espaço”, finaliza Vogel.

Visão do atleta

Durante os dias de filmagem, percebíamos a intenção do Vogel e sua equipe de participar do nosso convívio, conhecer as histórias individuais e, principalmente, como o time – e o movimento como um todo – é conduzido. Ainda não tivemos a oportunidade de conferir o trabalho final, mas é de fundamental importância trazer visibilidade a um movimento que tem transformado tantas pessoas em tão pouco tempo. Assim como a imprensa tem feito seu papel, noticiando a iniciativa das equipes e a realização dos torneios, o cinema é também um solo fértil para se trabalhar a temática da presença LGBT+ nos espaços esportivos.

 

Vettel surpreende na Austrália

Que começo de temporada para Sebastian Vettel e a equipe Ferrari! O alemão surpreendeu Lewis Hamilton e a Mercedes para conseguir a vitória logo no início do campeonato nas ruas do Albert Park, em Melbourne, durante a corrida deste domingo. Mesmo saindo em terceiro a estratégia do time italiano foi muito bem-sucedida e contou com a sorte para colocar o alemão em primeiro, posição que levou até o final, acumulando assim 25 pontos na liderança do mundial de pilotos. História muito parecida com o que aconteceu na mesma prova disputada em plena “terra do canguru” no ano passado. Desta vez, Hamilton, o pole position, teve que se contentar com o segundo posto ao final da disputa mesmo após todo o desempenho apresentado nos treinos de sexta e sábado. Já Kimi Raikkonen, também da Ferrari, fez o dever de casa e fechou o pódio em terceiro.

A corrida não teve grandes lances durante a maior parte da etapa, porém o melhor momento aconteceu na volta de número 25. Após a bandeira amarela causada pela parada do carro de Romain Grosjean na pista, Vettel aproveitou para disparar na diferença e fazer o pit stop único na prova de forma tranquila. O alemão retornou na frente de Hamilton, que havia parado ainda em bandeira verde e cinco voltas antes. Lewis ficou sem entender nada quando a troca de posições aconteceu e surpreendido com a situação perguntou ao time quem havia errado, se ele ou a própria Mercedes. O time alemão mal sabia o que responder. Lewis ainda se aproximaria de Vettel mas sofreu com um superaquecimento do bólido. Para piorar, o inglês ainda errou ao sair da pista. Foi o bastante para comprometer os pneus e perder contato com o líder na luta pela vitória.

Lewis dominou os dois primeiros treinos livres e colocou mais de meio segundo de vantagem nas Ferrari’s durante a classificação. Este é um detalhe que mostra ao menos por enquanto que o time da estrela de três pontas detém de fato o carro de melhor desempenho no certame. O conjunto chassi e motor se mostrou o mais veloz, mesmo com o carro saindo de traseira no estilo de pilotagem. Diante do que aconteceu nessa primeira corrida, ficou a impressão de que a vitória da Scuderia foi mais circunstancial, construída na estratégia e contando com a sorte de aparecer a esperada bandeira amarela com a imposição do carro de segurança virtual na pista. Tudo contribuiu, tudo ajudou. Mas a Ferrari e Vettel sabem que precisam trabalhar muito para encurtar essa vantagem dos alemães. Quem bobeou para conseguir um bom resultado foi o finlandês Valtteri Bottas, companheiro de Hamilton na Mercedes. Durante a classificação ele até fez tempos próximos aos do parceiro, porém justamente na fase final, o Q3, ele forçou demais o bólido, perdeu o controle após passar na zebra da curva 1 e bateu violentamente de lado e de traseira na barreira de pneus. Precisou trocar o câmbio e largou apenas em décimo quinto lugar, fazendo prova de recuperação, mas fechando a disputa apenas no oitavo lugar. Muito pouco para um carro que domina a categoria há vários anos! Bottas precisa mostrar serviço ou perderá a cobiçada vaga no final deste ano.

O GP mostrou poucas ultrapassagens e os fãs chiaram nas redes sociais. O debate ficou por conta do uso da proteção de cabeça, o famoso halo. Durante a transmissão da corrida foi possível constatar o quanto os carros ficaram mais feios com o artifício, além de prejudicar totalmente o uso das câmeras onboard colocadas para frente do bólido. É possível que eles (organização da categoria e federação internacional) não retirem a peça ainda neste ano, mas o número de reclamações e grande e tende a aumentar. Por outro lado, foi muito legal ver a McLaren alcançando praticamente uma redenção no resultado final. Fernando Alonso chegou em quinto e Stoffel Vandoorne em nono lugar. Apesar de todos os problemas no escapamento do chassi ao longo dos treinos, eles conseguiram fazer tudo funcionar melhor no dia da corrida. Deu tudo certo. Alonso foi considerado pela votação dos fãs o piloto do dia e comemorou muito o resultado. Merecido! É um alento ver o espanhol talentoso chegando finalmente em posições mais dignas e não abandonando a corrida por quebras do carro. Decepção podemos colocar para ambas as equipes dos energéticos: a Red Bull terminou em quarto com Daniel Ricciardo e sexto com Max Verstappen. Mais uma vez se inicia uma temporada de Fórmula 1 e espera-se que eles consigam brigar mais próximos das vitórias e dos títulos. No entanto a sina continua! Ricciardo correu “em casa” e mais uma vez não alcançou o tão sonhado pódio, sofreu punição nos treinos e nunca teve ritmo para chegar perto dos ponteiros. Verstappen perdeu a posição para a incrível Haas de Kevin Magnussen logo na largada. Ele ainda rodou durante a tentativa de recuperação. O time segue na briga pela ponta, porém ainda não parece tão envolvido com a competição como deveria realmente estar. E a Haas, surpresa da pré-temporada, fez bons treinos. Há de se lamentar que um problema na fixação dos pneus traseiros tirou em praticamente duas voltas os dois pilotos da disputa: Magnussen e Grosejan. A pistola pneumática para prender a porca do pneu falhou. Fica a dúvida: será que o mecânico conseguirá manter o emprego ou já está até na procura de uma nova “casa”?

Daqui a duas semanas a Fórmula 1 corre no deserto na pista de Sakhir, no Bahrein, um circuito permanente e que apesar das grandes retas deve favorecer os carros da Mercedes. A Ferrari ganhou em potência de motor e parece confiável, mas não tem um conjunto tão completo ainda. O fato é que teremos mais um ano de briga acirrada entre Hamilton e Vettel na categoria. Pegue sua pipoca e prepare-se para mais uma temporada de intensas disputas entre os dois! Grande abraço, galera, e até a próxima!

 

Por James Azevedo